Este será o primeiro encontro entre as autoridades dos dois países após a conversa entre Lula e o presidente Donald Trump, ocorrida no início deste mês.
“Não pintou química, pintou uma indústria petroquímica”, disse Lula, nesta quarta-feira (15), ao comentar a videoconferência realizada na semana passada com o estadunidense.
O presidente brasileiro brincou com a fala de Trump sobre “a química excelente” entre os dois, feita após o rápido encontro que tiveram nos bastidores da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.
Negociações diplomáticas
“Amanhã nós vamos ter a conversa de negociação”, contou Lula durante um evento no Rio de Janeiro.
Após as trocas diplomáticas, Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as negociações. Rubio convidou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para liderar a delegação brasileira em Washington.
Vieira desembarcou na capital dos Estados Unidos na terça-feira (14) para cumprir a agenda de trabalho.
Posição econômica do Brasil
Em entrevista recente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil apresentará “os melhores argumentos econômicos” para tentar reverter o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Segundo o ministro, o principal argumento é de que a medida encarece a vida do povo estadunidense.
Haddad destacou ainda que os EUA já possuem superávit comercial em relação ao Brasil e grandes oportunidades de investimento no país, especialmente nas áreas de transformação ecológica, terras raras, minerais críticos e energia limpa (eólica e solar).
Entenda o tarifaço
O tarifaço faz parte da nova política comercial da Casa Branca, implementada pelo presidente Donald Trump, que busca aumentar tarifas contra parceiros comerciais para recuperar a competitividade dos Estados Unidos frente à China.
Em 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a diversos países, com base no tamanho do déficit comercial norte-americano com cada um. Como os EUA possuem superávit em relação ao Brasil, o país recebeu inicialmente uma taxa mais baixa, de 10%.
No entanto, em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Impacto sobre exportações brasileiras
Entre os produtos afetados estão café, frutas e carnes. Ficaram de fora da primeira lista cerca de 700 itens (45% das exportações brasileiras aos EUA), incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, com motores, peças e componentes. Posteriormente, outros produtos também foram liberados das tarifas adicionais.
A expectativa é que o encontro desta quinta-feira (16) marque o início de um novo ciclo de negociações comerciais entre os dois países, com foco em reduzir as tarifas e restabelecer o fluxo de exportações brasileiras para o mercado norte-americano.


