O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apresentou nesta quarta-feira (26), durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte, uma proposta para colocar a mineração no centro da estratégia de desenvolvimento do Brasil entre 2027 e 2030. O documento “Mineração: Uma Prioridade Estratégica para o Brasil 2027-2030” reúne diagnósticos e medidas que serão encaminhados aos candidatos à Presidência da República.
A apresentação foi conduzida pelo diretor-presidente interino do IBRAM, Pablo Cesário. A publicação parte da avaliação de que o Brasil possui recursos minerais relevantes e empresas capazes de disputar espaço internacional, mas precisa transformar essa vantagem geológica em investimentos, tecnologia, inovação e geração de riqueza dentro do próprio território.
“Os candidatos estão respondendo ao que os eleitores querem e constatamos que há um movimento maior da sociedade de questionar sobre como deve ser a mineração e que papel o setor deve ter para contribuir ao desenvolvimento do país. Este documento responde a essas questões e podem servir de base técnica para plataformas de governo do próximo presidente da República”, afirmou o dirigente.
A entidade defende que a próxima gestão federal trate a mineração sustentável como uma política estratégica. Entre os objetivos está aumentar a participação brasileira nas cadeias globais ligadas aos minerais críticos, além de ampliar o processamento nacional para que o país deixe de depender apenas da exportação de matérias-primas em estado bruto.
Mineração sustentável entra na disputa por espaço na economia global
A proposta apresentada pelo IBRAM surge em meio à crescente competição internacional por minerais considerados essenciais para novas tecnologias, eletrificação, transição energética e setores de defesa. Cobre, lítio, terras raras, níquel e grafite estão entre os recursos que ganharam importância estratégica nesse cenário.
Para Pablo Cesário, o país precisa associar sua riqueza mineral à produção de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico.
“A mensagem aos candidatos é bem objetiva, a mineração deve ser vista como portadora de futuro, tal como ela é. Quando a gente fala de temas de alto interesse das pessoas, como transição energética, a gente tem que estar falando do binômio mineração mais conhecimento”, disse Pablo Cesário.
A avaliação do instituto é que o Brasil possui condições para ampliar investimentos e ocupar posições mais relevantes nas novas cadeias industriais, mas isso exigirá decisões políticas capazes de melhorar o ambiente regulatório e estimular a transformação mineral dentro do país.
O momento também coincide com a expectativa de votação definitiva, pelo Congresso Nacional, do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Plano do IBRAM reúne diagnóstico em 4 capítulos
A agenda apresentada aos presidenciáveis foi dividida em quatro grandes áreas. A primeira aborda o conhecimento geológico e a pesquisa mineral. Segundo o documento, aproximadamente 28% do território brasileiro possui mapeamento geológico.
O segundo eixo concentra-se nos minerais críticos e estratégicos e na possibilidade de o Brasil assumir uma posição de liderança nas cadeias industriais que estão surgindo em torno desses recursos.
A terceira frente propõe medidas para fortalecer instituições do setor, incluindo a Agência Nacional de Mineração (ANM), além de buscar maior eficiência nos processos de licenciamento ambiental.
O último capítulo trata do enfrentamento ao garimpo ilegal e da criação de caminhos para que trabalhadores atualmente inseridos nessa atividade possam migrar para a legalidade.
Cada uma das quatro áreas apresenta um diagnóstico e propostas específicas, formando uma agenda que o IBRAM pretende levar ao debate eleitoral de 2026.
A entidade também elaborou uma proposta direcionada aos candidatos aos governos estaduais. A iniciativa considera que políticas de incentivo à mineração desenvolvidas pelos estados podem complementar medidas adotadas pelo governo federal.
Para o IBRAM, a discussão vai além do aumento da produção mineral. A entidade defende que o Brasil utilize seus recursos para ampliar a geração de valor internamente, desenvolver tecnologia, atrair investimentos e fortalecer sua participação em setores considerados decisivos para a economia mundial.
O Cidades & Minerais acompanha a apresentação diretamente da Exposibram 2026, onde mantém estande e realiza a cobertura dos principais debates e decisões que envolvem o futuro da mineração brasileira.


