O G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, está prestes a publicar um importante texto que propõe beneficiar os países de origem dos minerais críticos. Este é um marco significativo para os países em desenvolvimento, como o Brasil, conforme destacou o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough.
Durante uma coletiva de imprensa realizada em Brasília na quarta-feira (19), ele explicou que minerais críticos são uma prioridade na presidência do bloco, sob a liderança da África do Sul, que organiza a Cúpula de Líderes do G20 este ano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da cúpula, que ocorrerá em Joanesburgo, na África do Sul, no próximo final de semana. Em sua explanação, Gough abordou a relevância desses recursos para a economia global e para os países que possuem grandes reservas, como o Brasil, que detém cerca de 10% das reservas mundiais desses minerais.
Minerais críticos: fundamentais para a transição energética e tecnologias emergentes
Minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel e terras raras, são essenciais para setores estratégicos como tecnologia, defesa e, principalmente, a transição energética. Esses elementos são fundamentais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores, itens que estão cada vez mais em alta devido ao crescente movimento por sustentabilidade e inovação tecnológica.
A demanda global por esses recursos, no entanto, está gerando desafios significativos. A oferta desses minerais está sujeita a riscos de escassez, e a dependência de poucos fornecedores pode afetar a estabilidade do mercado global. Isso torna a discussão sobre o papel dos países ricos em minerais críticos ainda mais relevante para o G20.
Brasil como protagonista e desafios locais
No Brasil, a exploração de minerais críticos tem atraído crescente atenção, já que o país possui vastas reservas de lítio e outros minerais essenciais para a transição energética. No entanto, esse crescente interesse por recursos estratégicos tem gerado conflitos nas novas frentes exploratórias, além de ser apontado como um fator que acelera a crise climática, segundo algumas pesquisas.
Estudos indicam que a expansão da mineração de minerais críticos pode trazer impactos ambientais significativos, em especial para as regiões de exploração. Por isso, o Brasil se vê diante de um duplo desafio: ao mesmo tempo em que é protagonista na oferta de minerais essenciais, precisa garantir que sua exploração seja realizada de forma sustentável e sem exacerbar a crise climática.


