Comitê de Clientes de Mariana teria destituído Pogust e indicado nova banca para ação em Londres

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O Comitê de Clientes do Litígio de Mariana, que representa a maioria dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão na ação contra a BHP em Londres, teria destituído o escritório britânico Pogust Goodhead e indicado o norte-americano Bailey Glasser International para assumir a condução do processo na Inglaterra.

Segundo informações veiculadas pela imprensa, o comitê teria tratado a substituição da banca como uma mudança comum em processos dessa natureza e duração nos tribunais ingleses. A decisão, segundo essas informações, não alteraria as condições de representação dos reclamantes, que continuariam sujeitos ao pagamento de honorários apenas em caso de sucesso no litígio.

Ainda conforme informações extraoficiais, o comitê sustenta que possui mandato concedido pelos próprios reclamantes por meio dos contratos que regem sua atuação. Esses documentos, segundo o grupo, dariam ao colegiado autoridade para tomar decisões estratégicas em nome dos autores, inclusive sobre a escolha do escritório responsável pela condução da ação.

O Comitê de Clientes do Litígio de Mariana é formado por indivíduos, empresas, instituições religiosas e integrantes de comunidades indígenas e quilombolas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015. O grupo reuniria mais de 300 mil autores no processo movido na Inglaterra.

Pogust Goodhead contesta destituição

Procurado pela reportagem, o Pogust Goodhead contestou a validade da decisão e afirmou que o Comitê de Clientes não possui autoridade para destituí-lo da representação do grupo mais amplo de autores nas ações contra a BHP na Inglaterra.

“O escritório continua representando centenas de milhares de brasileiros atingidos pelo maior desastre ambiental da história do país, e o litígio segue normalmente”, afirmou em nota.

O escritório ressaltou ainda que, após a decisão de novembro de 2025 que responsabilizou a BHP pelo rompimento da barragem, o processo avançou para a etapa de apuração dos danos e definição das indenizações.

Segundo o Pogust Goodhead, foram assegurados recentemente US$ 150 milhões adicionais em financiamento para essa nova fase do litígio.

“Continuamos comprometidos em responder a questionamentos legítimos, proteger os interesses dos clientes, evitar transtornos desnecessários e manter o cronograma atual para o julgamento, previsto para começar em abril de 2027”, reiterou.

Pogust perdeu representação de municípios

A disputa pela representação dos atingidos ocorre após o Pogust Goodhead perder, em agosto, quase todas as prefeituras que representava na ação contra a BHP em Londres.

Incluindo Mariana, 19 municípios que integravam o processo inglês aderiram ao Acordo da Bacia do Rio Doce, firmado no Brasil, e abriram mão de continuar no litígio no exterior.

Com as novas adesões, 45 dos 49 municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão passaram a integrar o acordo brasileiro.

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