O avanço dos investimentos em data centers e infraestrutura digital deve impulsionar a demanda por aço nos próximos anos e abrir novas oportunidades para a siderurgia brasileira. No entanto, o Brasil ainda está atrasado na atração desse tipo de investimento. A avaliação é do CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (5), para apresentar os resultados do segundo trimestre da companhia.
Segundo o executivo, a expansão dos data centers tem ampliado o consumo de aço, tanto pela construção dessas estruturas quanto pelos investimentos em geração e transmissão de energia necessários para atender à crescente demanda por processamento de dados. O movimento também acelera a digitalização da indústria, com maior adoção de automação, conectividade e inteligência artificial.
“Essa questão dos data centers, em conjunto com o crescimento da produção de energia que eles precisam, tem sido muito relevante na construção dessa demanda tão forte por lá (EUA). Nos últimos anos, especialmente nesses últimos 12 meses, a demanda cresceu ainda mais porque o consumo de aço neste tipo de construção tem sido muito significativo”, afirmou.
De acordo com Werneck, os investimentos bilionários anunciados pelas principais empresas globais de tecnologia indicam que essa tendência deverá se manter no longo prazo, consolidando os data centers como um dos principais vetores de crescimento da demanda por aço.
“Os investimentos em data centers nos Estados Unidos, se a gente citar somente as quatro grandes empresas de tecnologia, têm valores astronômicos. Para nós, é um caminho que não tem recuo”, disse.
Embora reconheça os desafios relacionados ao elevado consumo de energia e água dessas estruturas, o CEO acredita que eles não serão suficientes para frear a expansão do setor.
“São debates interessantes, porque de fato o consumo de água e de energia é muito intenso. Mas são questões contornáveis. Isso não vai ser impeditivo para que esses investimentos sigam. A questão da inteligência artificial e dessa nova realidade do mundo é um caminho sem volta”, destacou.
Na avaliação do executivo, esse cenário beneficia diretamente a siderurgia ao ampliar a necessidade de aço para edificações, fundações, torres de transmissão, linhas de energia e projetos de geração elétrica, além de estimular investimentos em inovação tecnológica dentro da própria indústria.
Apesar desse potencial, Werneck considera que o Brasil ainda avança em ritmo inferior ao de outros mercados na atração de grandes projetos de data centers. Ainda assim, acredita que o País reúne condições para acelerar esse processo, principalmente em função da evolução da matriz energética nacional.
“A gente acha que nós estamos atrasados com relação à criação de oportunidades de negócio para data centers. É inevitável que o Brasil também tenha um crescimento deles nos próximos anos, até porque o Brasil hoje está melhor estruturado do que foi no passado nos temas de energia”, afirmou.
Segundo o CEO, o mercado brasileiro dificilmente atingirá, no curto prazo, a mesma escala observada nos Estados Unidos. Ainda assim, ele considera que a expansão dos data centers no País é inevitável diante do crescimento contínuo da demanda global por armazenamento e processamento de dados.
“É questão de tempo para a criação de uma demanda que certamente não será tão sólida quanto nos Estados Unidos, mas também é um negócio que vai crescer no Brasil. Porque, no futuro, o mundo vai precisar de mais e mais capacidade de armazenamento e processamento de dados”, concluiu.


