A exploração clandestina de ouro dentro de uma área ambientalmente protegida levou a Polícia Federal a deflagrar, na sexta-feira (4), uma operação em Novo Progresso, no sudoeste do Pará. A ação mira um grupo suspeito de manter atividades de garimpo ilegal dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós.
Os investigadores buscam interromper a atividade mineral irregular e, ao mesmo tempo, avançar na identificação de quem estaria por trás do financiamento e da estrutura responsável pela exploração. As medidas autorizadas pela Justiça Federal também incluem a coleta de novos elementos que possam ajudar a esclarecer a dimensão do esquema.
A investigação ocorre em uma região marcada pela presença histórica da atividade garimpeira e por sucessivas ações de fiscalização contra a exploração mineral clandestina. Em operações recentes no Pará, forças federais já destruíram equipamentos e estruturas utilizadas na extração ilegal de minerais, incluindo ouro e cobre.
Ouro ilegal vira alvo de operação dentro da APA do Tapajós
Durante a operação desta sexta-feira, os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão determinados pela Justiça Federal. A ofensiva pretende localizar documentos, equipamentos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir o funcionamento da atividade investigada.
As decisões judiciais também permitiram o bloqueio de valores mantidos em contas bancárias dos investigados, além da apreensão de patrimônio que possa estar relacionado aos crimes apurados.
Outro instrumento utilizado na operação é a inutilização de maquinário pesado encontrado nas áreas sob investigação. A medida busca impedir que os equipamentos continuem sendo empregados na retirada clandestina de minério e, consequentemente, interromper a estrutura operacional do garimpo.
A APA do Tapajós é uma unidade de conservação localizada no Pará e possui regras específicas para utilização de seus recursos naturais. Documentos do ICMBio relacionados à unidade registram justamente a necessidade de observância das normas ambientais e dos procedimentos de autorização para atividades minerárias em seu território.
Investigação mira dinheiro, minério e possível rede criminosa
Além do impacto ambiental provocado pela exploração sem autorização, a investigação também acompanha a possível cadeia financeira por trás do garimpo. A PF pretende identificar quem financiava as operações, quem participava da retirada do ouro e para onde o minério extraído irregularmente era encaminhado.
Os envolvidos poderão ser responsabilizados, em tese, por crimes ambientais, usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A responsabilização definitiva dependerá do avanço das investigações e das provas reunidas no decorrer do processo.
Todo o material recolhido durante a operação deverá passar por análise pericial. A expectativa é que documentos, equipamentos e outros elementos encontrados possam ajudar os investigadores a identificar novos participantes da estrutura e eventuais compradores ou receptadores do ouro.
A ação ocorre em um momento de intensificação do combate federal à mineração ilegal na Amazônia. Em agosto, por exemplo, uma operação conjunta da PF, ICMBio, Ibama e Força Nacional atingiu estruturas clandestinas de exploração de ouro e cobre em Canaã dos Carajás, no Pará.
Em outra ofensiva recente, realizada em julho, a PF participou de uma operação contra a extração ilegal de ouro e cobre no estado, com destruição de máquinas, acampamentos e outras estruturas utilizadas pelos grupos investigados.
No caso de Novo Progresso, as investigações continuam e ainda podem revelar a extensão da rede responsável pela exploração clandestina dentro da área protegida.


