A pressão do garimpo ilegal sobre as Terras Indígenas (TIs) da Amazônia disparou nos últimos anos. Uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) aponta que a área ocupada pela atividade dentro desses territórios aumentou 562% entre 2016 e 2024.
O avanço fez das Terras Indígenas a categoria fundiária mais atingida pela mineração ilegal no período analisado. O problema, porém, não se limita aos locais onde os garimpos são instalados.
Os efeitos da atividade alcançam rios e outras áreas conectadas às bacias hidrográficas, ampliando a dimensão dos impactos ambientais e sociais provocados pela exploração irregular de minerais.
Garimpo ilegal deixa impactos além das áreas exploradas
Atualmente, 19 Terras Indígenas possuem registros de atividade ilegal de garimpo. O número, entretanto, é significativamente menor que o total de territórios afetados de alguma forma pelos impactos associados à atividade.
Segundo o levantamento, 147 Terras Indígenas, o equivalente a 37% de todas as TIs existentes na Amazônia, estão localizadas em bacias hidrográficas que sofrem com consequências relacionadas à contaminação por mercúrio e ao desmatamento.
A diferença entre os números mostra que os impactos não ficam necessariamente restritos aos pontos onde ocorre a extração. A contaminação dos cursos d’água pode atingir regiões conectadas às áreas de exploração, enquanto a retirada da vegetação altera o ambiente e afeta os ecossistemas.
Mercúrio e desmatamento ameaçam rios e comunidades
Entre as consequências apontadas pelo levantamento estão a mortandade de peixes e os riscos associados à contaminação por mercúrio. O metal utilizado em processos de extração de ouro pode chegar aos sistemas aquáticos e representar uma ameaça para populações que dependem desses ambientes.
O cenário coloca em evidência uma cadeia de impactos que começa com a abertura das áreas de garimpo, mas pode avançar pelos rios e alcançar comunidades situadas longe dos pontos de exploração.
Os dados do Ipam mostram, portanto, que medir apenas a extensão das áreas diretamente ocupadas pelo garimpo não revela toda a dimensão do problema. A influência sobre as bacias hidrográficas amplia o território atingido e envolve questões ambientais, econômicas e de saúde para as populações que vivem na região.


