A Vale lançou nesta terça-feira (18) o plano “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, elaborado com a colaboração da consultoria Accenture. A proposta projeta a criação de mais 2,3 milhões de empregos ligados ao setor mineral, elevando o impacto total sobre o emprego dos atuais cerca de 3 milhões para até 5,3 milhões de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos até 2035.
O estudo também estima que a arrecadação fiscal proporcionada pela atividade mineral, que somou R$ 750 bilhões na última década, possa alcançar R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035.
O relatório foi apresentado durante fórum de mesmo nome, realizado em Brasília, com a participação de representantes do governo federal, do setor produtivo mineral e de especialistas em infraestrutura e competitividade. Segundo a Vale, o documento também será entregue aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
Com a iniciativa, a mineradora apresenta propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento e à modernização da mineração brasileira. A companhia avalia que o avanço do setor pode ampliar o protagonismo do Brasil no mercado global, além de impulsionar o desenvolvimento industrial e socioeconômico.
“Em um momento em que se discutem caminhos para impulsionar o crescimento do País, a Vale contribui para o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário”, diz Gustavo Pimenta, presidente da Vale. “Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de empregos, renda, crescimento econômico e proteção ambiental.”
Plano reúne 15 iniciativas estratégicas
A proposta apresenta 15 iniciativas distribuídas em quatro agendas prioritárias. Entre os temas estão maior previsibilidade e padronização dos processos de licenciamento, infraestrutura, disponibilidade de energia, ambiente regulatório e tributário, fortalecimento institucional e geração de benefícios para comunidades e territórios onde a mineração está presente.
O levantamento reúne dados sobre o setor mineral brasileiro e projeta possíveis ganhos econômicos, de renda e competitividade a partir da expansão da produção mineral no país.
“A expectativa é que a contribuição do setor em arrecadação fiscal, que na última década foi de R$ 750 bilhões, suba para R$ 1,3 trilhão no próximo ciclo, entre 2026 e 2035, ampliando o impacto social positivo e contribuindo para o equilíbrio das contas públicas”, disse a Vale em nota. “O montante, se convertido em investimento público, equivale à criação de 23,1 milhões de vagas em escola integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 478 mil quilômetros de vias asfaltadas ou 870 mil leitos em hospitais.”
A mineradora também projeta uma expansão significativa do valor da produção mineral brasileira ao longo da próxima década.
“Com uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade, a produção mineral anual do Brasil pode saltar de cerca de R$ 300 bilhões atualmente para até R$ 535 bilhões em 2035”, informou a companhia.
Nesse cenário, o impacto total do setor sobre o emprego, atualmente estimado em cerca de 3 milhões de postos, poderia alcançar até 5,3 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos no país até 2035.
Minerais críticos ganham espaço na estratégia
O desenvolvimento da cadeia de minerais críticos também aparece entre os pontos centrais para a expansão da mineração brasileira. O governo federal reconhece a necessidade de ampliar investimentos no setor, inclusive com a participação de capital estrangeiro, mas defende que o país avance também no beneficiamento e processamento industrial dos minerais.
O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que a cooperação internacional e os investimentos externos podem contribuir “para o fortalecimento das cadeias produtivas minerais, a ampliação da capacidade de inovação e o desenvolvimento industrial e tecnológico do País”.
Além de lítio, níquel, grafite, cobre, cobalto e terras raras, utilizados em baterias, energias renováveis e tecnologias avançadas, o governo considera estratégicos minerais relacionados à produção de fertilizantes, como potássio e fosfato.
No início de agosto, durante evento no Rio de Janeiro, Gustavo Pimenta afirmou que a Vale identifica, neste momento, oportunidades no segmento de minerais críticos principalmente no upstream, que envolve mineração, concentração e beneficiamento. Sobre a etapa de refino, o executivo ressaltou que as “margens são mais apertadas”.
Pesquisa apresentada pelo MME em junho apontou o desenvolvimento do midstream — que compreende etapas como separação de elementos, purificação, refino e transformação em óxidos, metais e ligas — como essencial para ampliar a participação brasileira no mercado internacional de minerais críticos.
No curto prazo, a estratégia defendida pelo estudo passa por organizar e destravar a cadeia produtiva, ampliar a competitividade do upstream, aprofundar o conhecimento geológico e criar mecanismos capazes de reduzir riscos para os investimentos.
A proposta também considera instrumentos tributários e financeiros para estimular uma verticalização gradual da cadeia, além de maior coordenação regulatória. O governo aguarda ainda a aprovação do marco legal dos minerais críticos, em tramitação no Congresso Nacional.
Confira os principais pontos do plano da Vale
1. Licenciamento e fundamentos da mineração
- Otimizar e padronizar processos de licenciamento;
- Fortalecer Ibama, Iphan, ICMBio, Funai e secretarias de Meio Ambiente;
- Simplificar e modernizar os padrões de análise de processos minerários;
- Aproximar o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e empresas para parcerias em mapeamento geológico.
2. Cadeia mineral integrada
- Estabelecer instrumentos de incentivo à transformação mineral;
- Aprimorar as condições energéticas para uma cadeia mineral de baixo carbono;
- Criar um plano diretor de infraestrutura para o setor de mineração.
3. Ambiente de negócios e segurança institucional
- Implementar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos;
- Modernizar a regulamentação de cavidades;
- Atualizar a regulação de segurança de estéril e rejeitos;
- Fortalecer a Agência Nacional de Mineração (ANM);
- Apoiar a agenda setorial sobre os impactos da Reforma Tributária.
4. Valor compartilhado
- Criar programa de qualificação do uso da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM);
- Definir uma categoria de projetos estruturantes com contrapartidas socioambientais;
- Fortalecer a mineração responsável.


