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Tarifas dos EUA fazem exportação de aço de Minas crescer 15% em volume, mas derrubam receita em 26%

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Um ano após a adoção de tarifas sobre o aço importado pelos Estados Unidos, as exportações do setor siderúrgico de Minas Gerais passaram por uma mudança significativa. Estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por meio do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, mostra que os embarques mineiros de aço para o mercado norte-americano cresceram 15% em volume entre 2025 e fevereiro de 2026, mas registraram queda de 26% no valor exportado.

No total das exportações globais do estado, o cenário também indica alteração no desempenho. As vendas externas aumentaram 12% em peso, porém apresentaram leve retração de 1% na receita.

Mudança no perfil das exportações após aumento das tarifas

Segundo a FIEMG, o aumento das tarifas norte-americanas alterou o tipo de produto exportado para aquele mercado. Com as novas barreiras comerciais, as vendas passaram a se concentrar em aços semiacabados, produtos de menor valor agregado que servem como insumo para processamento nas siderúrgicas dos Estados Unidos.

Na prática, Minas Gerais passou a enviar mais aço em quantidade, mas com preço médio menor por tonelada, o que explica o crescimento no volume embarcado acompanhado de queda na receita.

Antes das tarifas, o perfil das exportações era diferente. Em 2024, apenas 19% do aço exportado para os EUA era composto por produtos semiacabados, enquanto 81% correspondia a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos, canos e produtos planos ou inoxidáveis. Após a mudança tarifária, os semiacabados passaram a representar 53% da pauta exportadora.

As medidas comerciais entraram em vigor em março de 2025, quando os Estados Unidos estabeleceram tarifa de 25% sobre o aço importado, índice que três meses depois foi elevado para 50%.

Estados Unidos continuam sendo mercado relevante

Mesmo com as barreiras comerciais, os Estados Unidos seguem como um dos principais destinos do aço produzido em Minas Gerais. Em 2025, cerca de 20% das exportações do setor no estado tiveram como destino o mercado norte-americano, totalizando aproximadamente 351 mil toneladas.

O estudo também indica que parte das exportações foi redirecionada para outros mercados. Países da América do Sul ampliaram as compras de aços longos e planos, enquanto mercados como Suíça, Paquistão e Itália passaram a adquirir volumes maiores desses produtos.

Outros destinos também ganharam relevância, entre eles Iraque, Bélgica, Catar e Índia, que aumentaram a compra de tubos, canos e aços inoxidáveis.

Brasil mantém posição estratégica no mercado americano

No cenário nacional, as tarifas também impactaram o comércio do setor. Em 2025, as importações totais de aço pelos Estados Unidos recuaram 12,6% em volume. As compras provenientes do Brasil caíram 8,3%, totalizando 3,7 milhões de toneladas.

Mesmo com a redução, o Brasil manteve posição relevante como fornecedor do produto. O país permaneceu como o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, as medidas alteraram a dinâmica global do setor. Segundo ele, Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado internacional, mas precisou adaptar o perfil das exportações.

Crescimento das importações de aço no Brasil preocupa setor

O estudo também aponta outro fator de alerta para a indústria siderúrgica brasileira: o aumento das importações de aço no país. Em 2025, as compras externas realizadas por Minas Gerais cresceram 17%, chegando a 284 mil toneladas.

Além do aumento no volume, o preço médio desses produtos caiu 11%, muitas vezes abaixo do custo praticado no mercado interno do país exportador, o que pode indicar práticas de concorrência desleal.

Grande parte dessas importações teve origem na China, responsável por 54% do total. Outros fornecedores relevantes foram Indonésia, com 18%, e Japão, com 11%.

Para a FIEMG, o cenário exige monitoramento constante, especialmente diante do aumento do protecionismo no comércio internacional e da pressão provocada pelo excesso de oferta global de aço.

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