A tradicional entrega da Medalha da Inconfidência, realizada em Ouro Preto nesta terça-feira (21), foi marcada não apenas pelas homenagens, mas também por um clima de tensão política entre autoridades. O evento reuniu nomes de destaque, como o governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões, além de outras lideranças nacionais, e acabou ganhando repercussão após discursos com críticas indiretas e respostas contundentes.
Educação ganha protagonismo em debate do governador Mateus Simões e prefeito de Ouro Preto durante cerimônia
Primeiro a discursar, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, trouxe referências históricas para embasar sua defesa de um modelo educacional voltado à formação crítica e democrática. Ao citar figuras como Juscelino Kubitschek e Rui Barbosa, ele reforçou a ideia de uma educação “cívico-militante”, em contraposição ao modelo cívico-militar defendido pelo governo estadual.
“Juscelino sabia que se encontrava em Ouro Preto a melhor escola devotada às lições democráticas herdadas dos inconfidentes e legada pelos maiores de Minas. Uma escola cívico-militante, que é o que interessa para o país. Se militarmos em favor de uma educação cívica, lúcida, transparente e democrática, seguiremos a lição de Rui Barbosa, que nas eleições de 1910 condenou o militarismo como um atentado aos princípios basilares da Republica. Sobretudo agora, quando as Forças Armadas do Brasil, acham-se pacificadas e coesas, não há que apelar ao militarismo”, declarou.
O posicionamento foi interpretado como uma crítica direta ao governo estadual. Ao encerrar a série de discursos, Mateus Simões reagiu ao que classificou como falta de respeito em um evento que, segundo ele, possui caráter cívico-militar.
Durante sua fala, o governador citou integrantes das forças de segurança presentes e pediu reconhecimento público a eles. “Se há quem tenha vergonha do militarismo, essa casa não o tem. E respeito, pelo menos, por quem é recebido como visitante é o mínimo que se espera em Minas Gerais por quem é o dono da casa. Meu respeito aos militares, a doutrina militar e ao que eles representam para o Brasil. Que não caiam nas palavras vazias e baratas daqueles que não respeitam as instituições brasileiras”, afirmou.
Simões também criticou o uso político do momento solene. “Lamento muito que o momento tenha de ser feito assim, mas lamento muito que em Minas, a cortesia de quem recebe, tenha sido perdida em algum momento pela necessidade de fazer política em um momento cívico. Cívico e militar, como o dia de Tiradentes sempre foi e continuará sendo, independentemente de quem governe”, completou.


