Nos últimos dois anos, o Vale do Lítio, situado em Minas Gerais, se firmou como um dos principais polos de investimento em mineração do Brasil, com R$ 6,3 bilhões já aplicados na região. Abrangendo cerca de 17 municípios, o local detém a maior reserva de lítio do país e já gerou 3.500 novos empregos diretos, com expectativa de alcançar 7.500 até o próximo ano.
O impacto do lítio na geração de empregos
A iniciativa é considerada estratégica pelo Governo de Minas Gerais e tem sido promovida em fóruns internacionais como essencial para a transformação socioeconômica do Vale do Jequitinhonha e de outras áreas do estado. Além dos empregos diretos, a previsão é que mais de 12 mil postos de trabalho indiretos sejam criados. As exportações de lítio dispararam, passando de R$ 1,9 bilhão entre 2021-2022 para R$ 4,3 bilhões no biênio 2023-2024, um crescimento superior a 120%.
Frederico Amaral, secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, ressalta que a atividade minerária está acompanhada por iniciativas de qualificação profissional e investimentos em infraestrutura, visando deixar um legado positivo para a população local.
O lítio se destaca como mineral fundamental na produção de baterias para carros elétricos e no armazenamento de energia, colocando Minas Gerais na vanguarda da discussão global sobre transição energética. Durante uma missão ao Japão, o governador Romeu Zema e empresários mineiros buscam parcerias estratégicas para posicionar o estado como um protagonista na nova indústria energética mundial.
Enquanto isso, Julio Nery, diretor do IBRAM, anunciou que mais de 10 projetos de pesquisa estão em andamento e que o sucesso de três deles pode gerar mais 1.200 empregos diretos. Flávio Roscoe, da Fiemg, acredita que toda a cadeia produtiva regional será beneficiada, abrangendo desde transporte até manutenção e insumos industriais.
Entretanto, junto às oportunidades surgem desafios significativos. A deputada Bella Gonçalves (Psol) alerta para os riscos da escassez hídrica decorrente do alto consumo de água pela mineração e a possibilidade de contaminação dos lençóis freáticos. O vereador Danilo Borges (PT), da cidade de Araçuaí, critica a especulação imobiliária que encareceu os aluguéis e dificultou a permanência de estudantes e trabalhadores na região.
O prefeito Tadeu Barbosa (PSD) reconhece os impactos da mineração, como a superlotação hospitalar e a crise habitacional, mas assegura que medidas estão sendo implementadas para mitigar esses efeitos. Ele também solicita maior clareza nas responsabilidades entre município, estado e União para enfrentar os desafios trazidos pelos novos investimentos.
Entidades como AMIG e MAB insistem que o desenvolvimento deve ser sustentável e justo, respeitando o meio ambiente e os direitos das comunidades tradicionais. A Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa reforça que as atividades minerárias devem seguir normas rigorosas e incluir a participação ativa dos povos indígenas e quilombolas nas decisões.
Em resposta às críticas sobre os impactos ambientais e sociais da mineração, o Governo de Minas informou que está focado em consolidar uma produção de lítio verde com menor impacto ambiental. O estado investiu R$ 106 milhões em educação técnica, R$ 30 milhões na saúde e implantou sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs) na região. No âmbito social, foram destinados mais de R$ 13 milhões a ações que beneficiaram cerca de 190 mil pessoas. Em infraestrutura hídrica e saneamento básico, foram aplicados R$ 2,8 milhões com previsão adicional de R$ 8,4 milhões; enquanto no setor de mobilidade e transporte os investimentos superam R$ 1,3 bilhão.


