O desenvolvimento da cadeia de terras raras no Brasil deve seguir uma trajetória gradual, começando pela etapa em que o país já possui experiência consolidada: a mineração. A avaliação é do presidente do Conselho Superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), Marcos André Gonçalves, que defende uma abordagem mais prática para aproveitar as oportunidades abertas pelo crescimento da demanda global por minerais estratégicos.
Segundo o executivo, o Brasil possui potencial para se tornar um importante fornecedor desses elementos, mas ainda enfrenta desafios estruturais para avançar simultaneamente em todas as etapas da cadeia produtiva.
Mineração podem impulsionar novos investimentos minerais no Brasil
Atualmente, o país conta com apenas uma mina de terras raras em operação comercial, localizada em Goiás. Entretanto, diversos projetos avançam em diferentes regiões, especialmente no Sul de Minas Gerais, considerado uma das áreas mais promissoras para a expansão desse segmento.
Ao mesmo tempo, empresas estudam investimentos em unidades de processamento, enquanto o governo federal busca estimular uma cadeia produtiva completa, incluindo extração, refino, fabricação de componentes e reciclagem.
Para Marcos André Gonçalves, a evolução desse mercado deve ocorrer de forma natural, acompanhando o amadurecimento da atividade mineral no país.
Na avaliação dele, a ampliação da produção mineral criará as condições necessárias para o surgimento das etapas intermediárias da cadeia.
Terras raras e excesso de regulação podem comprometer oportunidades
O dirigente também alertou para o risco de o Brasil perder espaço na corrida global pelos minerais críticos devido à lentidão regulatória. Segundo ele, o país dedica grande parte dos esforços à discussão de normas e procedimentos, enquanto outras nações avançam na implementação de projetos.
Para Gonçalves, o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) é essencial para acelerar processos, ampliar a fiscalização e viabilizar novos leilões de áreas com potencial mineral. Outro ponto considerado estratégico é a ampliação da disponibilidade de informações geológicas para investidores interessados em explorar novas jazidas.
O executivo também demonstrou preocupação com alguns pontos do Projeto de Lei 2780/2024, que trata da criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Na visão dele, determinados dispositivos podem gerar insegurança e ampliar a imprevisibilidade para investidores do setor.
Enquanto o debate avança no Congresso Nacional, especialistas avaliam que a demanda global por terras raras continuará crescendo, impulsionada principalmente pela expansão das tecnologias ligadas à transição energética, eletrificação da economia e indústria de alta tecnologia.
Nesse cenário, o Brasil busca encontrar um equilíbrio entre regulação, competitividade e atração de investimentos para transformar seu potencial geológico em oportunidades concretas de desenvolvimento.


