A corrida por minerais críticos essenciais à indústria tecnológica, como cobre, lítio e terras raras, está avançando sobre áreas próximas a povos indígenas isolados na Amazônia Legal. De acordo com um levantamento da Repórter Brasil, ao menos 45 comunidades indígenas podem ser afetadas por pedidos de mineração localizados a menos de 40 quilômetros de suas terras.
Mineração de minerais críticos e o risco à sobrevivência dos povos isolados
O estudo identificou 1.827 solicitações de exploração dos minerais críticos envolvendo 16 tipos de elementos usados na fabricação de chips, carros elétricos e turbinas eólicas. Segundo o Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI), essa proximidade representa uma ameaça direta à integridade e à sobrevivência dessas comunidades.
Entre 1953 e setembro de 2025, foram protocolados 7.718 requerimentos ativos de exploração mineral em toda a Amazônia Legal. Desses, 1.827 (24%) estão próximos de áreas com povos isolados, e 1.226 processos envolvem o mesmo mineral: o estanho.
O levantamento também mostra uma forte aceleração nos últimos anos — 3.392 pedidos (44%) foram apresentados a partir de 2020, evidenciando o aumento da pressão sobre as áreas amazônicas.
Atualmente, 4.539 processos (59%) encontram-se em fase inicial de pesquisa, enquanto 2.369 (31%) já estão na etapa de concessão de lavra, permitindo o início da extração mineral. Outros 810 pedidos permanecem em “disponibilidade”, aguardando novos interessados para requerer o direito de pesquisa ou lavra.
Grandes mineradoras entre os requerentes
Dos pedidos de mineração de minerais críticos que afetam os povos isolados, 567 empresas, cooperativas e pessoas físicas são responsáveis. Entre os nomes que aparecem estão grandes companhias do setor mineral, como Anglo American Níquel Ltda, Vale e Bemisa, além de cooperativas e mineradores independentes.
Os dados reforçam o alerta de organizações socioambientais sobre a necessidade de políticas públicas que conciliem o desenvolvimento econômico com a proteção dos povos indígenas e da biodiversidade amazônica. A expansão da mineração em áreas sensíveis coloca em risco não apenas modos de vida tradicionais, mas também o equilíbrio ambiental da maior floresta tropical do planeta.


