O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou que o Brasil pretende tratar suas riquezas minerais como uma questão de soberania nacional, buscando agregar valor internamente antes de exportar. Em entrevista à Reuters na quarta-feira (6), Lula destacou que o país não deseja repetir os erros do passado, quando exportava minerais em estado bruto e importava produtos com alto valor agregado. “Queremos que o valor seja agregado aqui, não vamos permitir que a riqueza seja deixada em outros países”, afirmou o presidente.
O que está em jogo com os minerais críticos
A mineração brasileira tem ganhado destaque nos debates sobre a soberania do país, especialmente em relação aos minerais críticos, como as terras raras. Em julho, Lula já havia anunciado que o governo tomaria controle desses recursos e criou uma comissão para mapear as riquezas naturais do Brasil.
Em sua fala, o presidente mencionou o interesse crescente de países como os Estados Unidos, que, segundo ele, isentaram uma grande parte dos minérios exportados do Brasil da tarifa extra imposta pelo governo Trump. “Por que eu vou deixar para outro pegar, se o mineral já é crítico?”, questionou Lula, enfatizando a importância de garantir o controle interno desses recursos.
Terras raras e os desafios da extração
Lula também comentou sobre a importância das terras raras – um conjunto de 17 elementos metálicos essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia. Embora esses elementos sejam mais abundantes do que o ouro, sua extração é complexa e cara, além de causar impactos ambientais significativos. O presidente sublinhou que o Brasil não deve apenas exportar o minério em seu estado bruto, mas sim buscar soluções para processá-lo e gerar mais valor agregado dentro do país.
Com uma abordagem voltada para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da economia nacional, o governo de Lula tem buscado maneiras de garantir que o Brasil não apenas seja um grande exportador de minério, mas também um líder no processamento desses recursos.
A ideia é evitar que o Brasil continue a exportar suas riquezas naturais e importar produtos com maior valor agregado, um ciclo que, segundo o presidente, prejudica a soberania e o desenvolvimento do país.


