Lula sanciona lei de reciprocidade ambiental e comercial em resposta a tarifas dos EUA

Publicado em

Na última sexta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, sem vetos, uma nova legislação que estabelece a reciprocidade nas regras ambientais e comerciais entre o Brasil e outros países. A medida foi aprovada de imediato no Congresso Nacional, com forte apoio de ruralistas e aliados do governo, sendo a votação na Câmara realizada de forma simbólica.

A sanção ocorre em meio ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma tarifa de 10% sobre produtos importados de diversos países, incluindo o Brasil. O objetivo declarado por Trump é estimular a criação de empregos e o retorno das fábricas ao território americano. A situação ressaltou a necessidade de um arcabouço legal brasileiro para responder a barreiras econômicas impostas por outras nações.

Entenda o que a nova lei prevê

Com a nova legislação, o governo brasileiro ganha a capacidade de adotar medidas retaliatórias contra os Estados Unidos. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderá suspender concessões comerciais, investimentos ou acordos relacionados à propriedade intelectual caso o Brasil enfrente determinações que comprometam sua competitividade ou produção. As retaliações podem incluir taxações sobre importações e a suspensão de acordos comerciais.

A legislação prevê três situações em que a Camex pode agir: quando houver aplicação ou ameaça de medidas comerciais que afetem a soberania nacional; quando forem desrespeitados acordos comerciais vigentes; ou quando exigências ambientais forem mais rigorosas do que as leis brasileiras atuais.

Apesar das novas possibilidades de retaliação, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo não pretende utilizar essas medidas em um primeiro momento, optando por manter o diálogo e as negociações.

Originalmente, o projeto visava abordar questões ambientais em resposta à suspensão das compras de carnes do Mercosul pelo Carrefour na França. No entanto, uma nova versão apresentada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) ampliou o escopo da proposta para incluir retaliações comerciais mais amplas, conquistando apoio significativo da bancada ruralista no Congresso. O texto deve ser publicado no Diário Oficial da União (DOU) na próxima segunda-feira (14).

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica