O Brasil decidiu não aderir a uma proposta elaborada pelas principais economias industrializadas do mundo para ampliar a cooperação internacional na área de minerais críticos e terras raras. A avaliação do governo federal é que o documento, atualmente debatido entre os integrantes do G7, não atende às prioridades brasileiras relacionadas ao fortalecimento da indústria nacional e ao desenvolvimento da cadeia produtiva desses recursos estratégicos.
Os minerais críticos ganharam relevância nos últimos anos por serem fundamentais para setores como energia limpa, tecnologia avançada, mobilidade elétrica e defesa. Em meio à crescente disputa global por essas matérias-primas, diferentes países buscam garantir segurança no abastecimento e reduzir vulnerabilidades em suas cadeias de suprimentos.
Minerais críticos estão no centro das divergências
De acordo com integrantes do governo, a proposta discutida pelo G7 tem como objetivo diminuir a dependência dos países ocidentais em relação ao fornecimento chinês de minerais considerados essenciais para a economia do futuro. No entanto, a percepção brasileira é de que o modelo apresentado pode perpetuar uma dinâmica em que nações detentoras de recursos naturais continuem concentradas na exportação de matéria-prima, sem avanços significativos na industrialização local.
A posição defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a de manter diálogo e cooperação com diferentes parceiros internacionais, sem restrições geopolíticas. Além disso, o Brasil considera fundamental que eventuais acordos incluam investimentos capazes de ampliar o processamento industrial e a agregação de valor dentro do próprio território nacional.
Como não integra o grupo das sete maiores economias industrializadas, o Brasil não participa diretamente da elaboração do documento e não possui poder de influência sobre seu conteúdo. Ainda assim, havia a possibilidade de apoio formal ao texto, hipótese que foi descartada pelo governo.
Agenda internacional inclui comércio e desenvolvimento
Paralelamente às discussões envolvendo minerais estratégicos, o presidente Lula cumpre agenda bilateral durante a cúpula realizada na França. Entre os compromissos previstos está uma reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em um encontro que poderá impulsionar conversas sobre um futuro acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul.
O presidente brasileiro também terá encontros com lideranças da União Europeia para tratar de temas econômicos e comerciais. Entre os assuntos previstos estão as recentes barreiras impostas ao ingresso de carne bovina brasileira no mercado europeu, relacionadas a critérios sanitários.
Durante sua participação no encontro do G7, Lula deverá defender maior apoio financeiro aos países em desenvolvimento. A expectativa é que o presidente cobre mais comprometimento das nações mais ricas com iniciativas voltadas ao combate à pobreza, à fome e à redução das desigualdades globais, além de questionar os elevados recursos destinados anualmente aos gastos militares.


