O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil precisa mudar a forma como explora suas riquezas minerais, especialmente no caso das terras raras e minerais críticos. Segundo ele, o país não deve repetir o modelo adotado com o minério de ferro, marcado pela exportação da matéria-prima sem transformação industrial.
“O Brasil não vai fazer com as terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro”, declarou o presidente. Ele defendeu que empresas estrangeiras interessadas em explorar os recursos minerais brasileiros deverão investir na industrialização desses produtos dentro do país.
“Já está avisado ao mundo: o Brasil não vai fazer das terras raras e mineiras críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro. Vender minério de ferro e comprar produto acabado pagando seis vezes mais caro. Não, agora a parceria tem de ser feita para que a transformação seja aqui no Brasil”, afirmou.
Durante o discurso, Lula também criticou o histórico de exploração de recursos naturais brasileiros ao longo dos séculos.
“Já levaram toda nossa prata, nosso ouro, nosso diamante, nosso minério de ferro. O que mais querem levar? Quando vamos aprender que Deus deu essas riquezas para nós? E nós ficamos dando para os outros”, completou.
Encontro com presidente da África do Sul
A declaração foi feita durante agenda oficial no Palácio do Planalto ao lado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que realiza visita de Estado ao Brasil nesta segunda-feira (9).
Ramaphosa foi recebido por Lula no Palácio do Planalto durante a manhã. Na sequência, a programação prevê almoço no Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, além de compromissos institucionais no Congresso Nacional do Brasil e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa de maior representatividade global
Ao comentar a relação entre os dois países, Lula afirmou que Brasil e África do Sul compartilham objetivos no cenário internacional.
Segundo ele, as duas nações defendem “luta por uma ordem global mais representativa, baseada no direito internacional e no multilateralismo”.


