A busca por áreas com potencial para exploração de terras-raras cresceu de forma acelerada no Brasil nos últimos anos. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) apontam que o país registrou 2.162 processos ligados à pesquisa desses minerais estratégicos desde 2023.
O número representa um salto expressivo em relação ao histórico anterior. Até 2023, o total acumulado de processos relacionados à pesquisa de terras-raras no Brasil era de apenas 343 registros, considerando dados disponíveis desde 1975.
Os processos incluem pedidos de autorização e requerimentos de pesquisa mineral, etapas iniciais em que empresas buscam permissão para estudar áreas com potencial ocorrência desses elementos químicos.
Terras-raras ganham força após mudança na legislação brasileira
Apesar do aumento no interesse pela pesquisa mineral, o Brasil possui atualmente apenas oito concessões de lavra para exploração comercial de terras-raras. Todas estão localizadas em Goiás e pertencem à empresa Serra Verde, hoje a única com produção comercial relevante no país.
Segundo o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, parte desse avanço ocorreu após mudanças regulatórias implementadas pela Lei nº 14.514 de 2022.
Antes da alteração legal, depósitos associados a elementos como urânio e tório eram enquadrados dentro da legislação aplicada aos minerais nucleares, setor tradicionalmente ligado ao monopólio estatal.
Com a nova legislação, a iniciativa privada passou a ter autorização para atuar em etapas de pesquisa e lavra desses minerais, embora atividades nucleares específicas continuem sob responsabilidade da INB (Indústrias Nucleares do Brasil), conforme determina a Constituição.
Demanda global impulsiona corrida por minerais estratégicos
Além das mudanças regulatórias, o avanço das tecnologias ligadas à transição energética e à inteligência artificial também impulsionou o interesse mundial pelas terras-raras.
O grupo reúne 17 elementos químicos utilizados em setores considerados estratégicos, incluindo fabricação de baterias, motores de carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, sensores, data centers e sistemas de armazenamento de energia.
Embora o nome sugira escassez, as terras-raras não são necessariamente incomuns na natureza. O principal desafio está em encontrar jazidas economicamente viáveis e dominar as etapas de separação e processamento dos minerais, áreas que concentram grande parte do valor agregado da cadeia produtiva.
Com o aumento da demanda global, o Brasil passou a atrair atenção de investidores e mineradoras interessadas em ampliar a participação do país nesse mercado estratégico.


