O Brasil ampliou de forma expressiva sua reserva oficial de ouro e passou a ocupar uma posição de destaque entre os países latino-americanos. Em março de 2026, o país acumulava 172,4 toneladas do metal precioso nas reservas internacionais, segundo dados do World Gold Council.
O número chama atenção não apenas pelo volume, mas também pela velocidade com que o estoque brasileiro cresceu. Depois de passar quatro anos sem realizar novas compras, o Banco Central voltou ao mercado e adicionou 42,8 toneladas de ouro às reservas em apenas três meses, entre setembro e novembro de 2025.
O movimento representou uma alta de aproximadamente 33% no estoque, que saiu de 129,6 toneladas para 172,4 toneladas. Com isso, o ouro passou a representar cerca de 7,1% das reservas internacionais brasileiras.
Ouro ganha espaço na estratégia brasileira
A retomada das compras ocorreu em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas, tensões geopolíticas e mudanças na composição das reservas dos bancos centrais. O aumento da participação do ouro está relacionado a uma estratégia de diversificação dos ativos mantidos pelas autoridades monetárias.
Embora o movimento tenha sido associado à chamada desdolarização, é preciso fazer uma distinção. Não há indicação de que o Banco Central brasileiro tenha anunciado uma substituição direta do dólar pelo ouro. A política de reservas envolve diferentes ativos e busca equilibrar segurança, liquidez e diversificação.
Ainda assim, o crescimento da quantidade de ouro é significativo. Ao final de 2025, o metal já representava uma parcela maior das reservas brasileiras, enquanto o dólar permanecia como o principal ativo da carteira.
A mudança também acontece em um momento em que bancos centrais de diversos países vêm mantendo o ouro como instrumento estratégico diante das incertezas nos mercados internacionais.
Brasil aparece entre os maiores estoques do mundo
No ranking latino-americano baseado nos dados atualizados até março de 2026, o Brasil aparece na primeira posição, com 172,4 toneladas, seguido pelo México, com 120,1 toneladas, e pela Argentina, com 61,7 toneladas. Peru e Equador completam as cinco primeiras posições, com 34,7 e 26,3 toneladas, respectivamente.
Existe, porém, uma particularidade envolvendo a Venezuela. Alguns levantamentos apresentam o país com 161,2 toneladas, o que colocaria os venezuelanos na segunda posição regional e deixaria o Brasil em primeiro. O problema é que os dados oficiais da Venezuela não são atualizados desde 2018. Informações posteriores apontam para um estoque muito menor, o que impede uma comparação atual totalmente segura.
No cenário mundial, a distância para as maiores potências ainda é enorme. Os Estados Unidos aparecem no topo, com mais de 8,1 mil toneladas de ouro em reservas oficiais. O Brasil, mesmo tendo avançado bastante, permanece muito distante desse patamar.
O crescimento brasileiro, portanto, não significa que o país tenha se tornado uma potência global em reservas de ouro. O que mudou foi sua posição regional e, principalmente, o peso que o metal passou a ter dentro da estratégia de composição das reservas internacionais.
A marca de 172,4 toneladas também evidencia uma transformação relevante na política de reservas do país. Depois de quatro anos sem novas compras, a entrada de 42,8 toneladas em apenas três meses alterou significativamente o estoque brasileiro e colocou o ouro ainda mais no centro das discussões sobre segurança financeira e diversificação de ativos.


