O Brasil registrou um avanço expressivo no cenário internacional da mineração e passou a liderar a atratividade para investimentos na América Latina. Segundo levantamento do Fraser Institute, o país subiu para a 19ª colocação entre 68 jurisdições avaliadas no tradicional ranking global do setor.
No ano anterior, o desempenho era bem inferior: o Brasil ocupava a 56ª posição entre 82 países e regiões analisados, o que evidencia uma mudança significativa na percepção de executivos da indústria mineral.
Avanço impulsionado por potencial e ambiente regulatório para mineração
O estudo leva em consideração dois fatores principais: o potencial geológico — que avalia a qualidade e disponibilidade de recursos minerais — e o ambiente institucional, que inclui aspectos como segurança jurídica, estabilidade política, tributação e licenciamento ambiental.
No caso brasileiro, houve melhora consistente nos dois indicadores. A avaliação do potencial mineral teve crescimento relevante, colocando o país entre os mais bem posicionados nesse quesito. Já a percepção sobre regras e políticas públicas também avançou, refletindo maior confiança dos investidores.
No topo do ranking global aparece Nevada, considerada a jurisdição mais atrativa do mundo para mineração.
Demanda por minerais críticos impulsiona setor
O avanço do Brasil ocorre em meio ao aumento da demanda global por minerais críticos, essenciais para a transição energética e para tecnologias como veículos elétricos, baterias e data centers.
Esse movimento tem levado governos e empresas a ampliar estratégias para garantir acesso a esses recursos, colocando o país em posição estratégica no cenário internacional.
Governo e Congresso aceleram agenda mineral
Nos últimos meses, o setor mineral passou a receber maior atenção do governo federal. Um dos destaques foi a retomada das atividades do Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por discutir diretrizes estratégicas para a área.
Na primeira reunião recente, foi criado um grupo de trabalho voltado à formulação de políticas públicas para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e estratégicos.
Paralelamente, avança no Congresso a proposta de criação de uma política nacional específica para o segmento. O projeto é relatado pelo deputado Arnaldo Jardim e apresentado pelo deputado Zé Silva.
Propostas incluem incentivos e redução de riscos
Entre os principais pontos em discussão está a criação de um fundo garantidor para facilitar o financiamento de projetos minerais, especialmente os que ainda estão em fase inicial.
O texto também propõe medidas para dar mais previsibilidade ao licenciamento ambiental, considerado um dos principais entraves ao setor, além de incentivos fiscais e um regime aduaneiro especial para importação de equipamentos.
Outra iniciativa prevista é o desenvolvimento de um programa federal voltado à produção de minerais essenciais à transição energética, com foco em materiais estratégicos para baterias, fertilizantes e sistemas de armazenamento de energia.
Expectativa do setor é ampliar investimentos
Apesar do avanço, o projeto ainda enfrenta desafios, como divergências internas no governo sobre incentivos fiscais e debates com setores ambientalistas. A expectativa é que uma versão final seja consolidada após novas negociações previstas para abril.
Para o setor privado, a combinação entre maior clareza regulatória, incentivos e segurança jurídica será determinante para manter o Brasil em trajetória de crescimento e ampliar sua competitividade global.


