O Brasil tem potencial para assumir protagonismo global no fornecimento de minerais críticos e se consolidar como referência em mineração sustentável. A avaliação foi apresentada por Ana Sanches, CEO da Anglo American Brasil e presidente do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração, durante a abertura do Fórum Brasil-EUA sobre Minerais Críticos, realizado em São Paulo.
Segundo a executiva, o país reúne vantagens naturais e estruturais que o colocam em posição estratégica no cenário internacional, como a abundância de recursos minerais, forte potencial geológico e experiência consolidada em práticas responsáveis.
Três pilares para transformar potencial de minerais críticos em liderança global
Apesar das vantagens competitivas, Ana Sanches destacou que o avanço do Brasil depende de três fatores essenciais. O primeiro deles é a segurança regulatória, considerada fundamental para atrair investidores. O segundo envolve a melhoria da infraestrutura logística e energética. Já o terceiro ponto é o acesso a financiamento de longo prazo, necessário para viabilizar projetos robustos.
De acordo com ela, o trabalho do Instituto Brasileiro de Mineração busca justamente posicionar o país como referência internacional, alinhando produção mineral com práticas sustentáveis e exigências da transição energética.
Mineração sustentável e foco em valor agregado
Outro destaque da fala da executiva foi a necessidade de o setor avançar além do volume de produção. A proposta é fortalecer a qualidade dos produtos minerais, agregando valor e associando a produção a padrões elevados de governança, responsabilidade ambiental e relacionamento com comunidades.
Nesse contexto, o Brasil pode ampliar sua competitividade ao investir em eficiência energética, inovação tecnológica e modelos produtivos mais sustentáveis, acompanhando as exigências do mercado global.
Setor já passa por transformação tecnológica e ambiental
A mudança no setor mineral já está em curso, com iniciativas voltadas à redução de emissões, eletrificação de equipamentos e ampliação do uso de fontes renováveis. Além disso, empresas têm investido em tecnologias que minimizam impactos ambientais e aumentam a eficiência operacional.
Para Ana Sanches, o país também tem condições de avançar para etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva, deixando de atuar apenas como exportador de matéria-prima e passando a desenvolver soluções industriais de maior valor agregado.
Brasil pode assumir protagonismo na transição energética
A executiva reforçou que a demanda global por minerais críticos tende a crescer com a transição energética e a reconfiguração das cadeias produtivas internacionais. Nesse cenário, o Brasil surge como um possível fornecedor estratégico, capaz de atender mercados exigentes com responsabilidade e competitividade.
A consolidação desse papel, no entanto, dependerá da capacidade de integrar inovação, sustentabilidade e segurança econômica, fatores considerados decisivos para o futuro do setor mineral.


