Por reflexo das importações de aço, o setor siderúrgico cancelou, neste ano, R$ 2,5 bilhões em investimentos no Brasil. Além disso, demitiu 5.100 colaboradores e paralisou quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).
As informações foram apresentadas pelo Instituto Aço Brasil nesta terça-feira (16), em coletiva de imprensa. A entidade não detalhou quais empresas cancelaram aportes, demitiram funcionários e paralisaram equipamentos e fábricas.
Entre janeiro e novembro, o País importou 5,4 milhões de toneladas de laminados. O volume cresceu 20,2% em relação ao mesmo período de 2024. A China, acusada pelas siderúrgicas de práticas predatórias, como reduzir os preços dos produtos abaixo do custo de produção, respondeu por 64% das compras do mercado brasileiro.
Em razão do avanço dos desembarques, o ebitda das produtoras de aço do Brasil, caiu 51,7% no terceiro trimestre, para R$ 2,8 bilhões, na comparação com os últimos três meses do ano passado. Ao mesmo tempo, a margem ebitda diminuiu de 14,4% para 7,7%.
Conforme o presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter, para que as siderúrgicas sejam sustentáveis no médio e longo prazo, precisam registrar uma margem ebitda próxima de 15%, o que não tem acontecido. “A situação vem se deteriorando trimestre a trimestre, e o quarto trimestre deve seguir essa tendência”, pontuou.
Assim como o financeiro, o desempenho operacional da siderurgia brasileira está aquém do ideal, visto que o setor deveria operar utilizando cerca de 80% a 85% da capacidade instalada, mas não é o caso atualmente, de acordo com o presidente-executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes. “Estamos operando com 68%”, ressaltou.


