A produção de aço elétrico da Aperam em Timóteo, no Vale do Aço, está funcionando atualmente com apenas metade da capacidade instalada. O cenário é atribuído pela companhia ao aumento da entrada de produtos importados no mercado brasileiro, especialmente de forma indireta, por meio de equipamentos que utilizam esse tipo de material.
Segundo o CEO da empresa, Rodrigo Villela, a expansão das importações de motores elétricos de baixo custo tem reduzido o espaço para o aço fabricado pela unidade mineira. Com menor demanda, a linha de produção permanece distante de sua capacidade total.
A situação também interfere nos planos de expansão da operação em Minas Gerais e coloca em discussão fatores que, segundo a empresa, vêm pressionando a competitividade da indústria nacional.
Importações atingem mercado de aço elétrico produzido em Minas
A unidade da Aperam em Timóteo fabrica dois tipos de aço elétrico. O de grão não orientado é utilizado principalmente em motores e compressores, enquanto o de grão orientado tem aplicação em transformadores de energia.
A dependência do mercado brasileiro é elevada: aproximadamente 85% da produção de aço em Timóteo permanece no país. Dessa forma, mudanças na concorrência interna e o avanço de produtos estrangeiros têm impacto direto sobre o desempenho da unidade.
De acordo com Villela, não são apenas as importações diretas de aço que pressionam o mercado. A entrada de produtos industrializados que utilizam aço elétrico em sua composição também amplia a competição para os fabricantes instalados no Brasil.
Investimentos da Aperam ficam em espera diante do cenário
A capacidade ociosa também repercute nos investimentos planejados para a usina. Entre os projetos mantidos em espera está a instalação de um novo laminador a frio, que fazia parte dos planos de expansão da unidade.
Na avaliação apresentada pelo executivo, a competitividade da indústria brasileira enfrenta ainda outros obstáculos. Entre eles estão o preço do gás natural e questões relacionadas à segurança jurídica, além dos efeitos provocados pelas importações.
O momento coloca a operação de Timóteo diante de um cenário de menor utilização da capacidade produtiva e de cautela em relação a novos aportes. Para a companhia, a recuperação da demanda e condições mais equilibradas de competição são fatores relevantes para a retomada dos investimentos previstos.


