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Governo anuncia R$ 22 bilhões para siderurgia e amplia proteção contra aço importado

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A indústria siderúrgica brasileira recebeu novos sinais de apoio do governo federal durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo. Em participação remota no evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin apresentou medidas voltadas à competitividade do setor, citou mudanças tributárias e destacou ações de defesa comercial diante da pressão dos produtos estrangeiros.

O encontro ocorreu em um momento de preocupação entre as empresas brasileiras. Dados do Instituto Aço Brasil mostram que a produção nacional de aço bruto chegou a 21,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, queda de 1,8% na comparação com o mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, as importações recuaram 20,2% na mesma base de comparação, para 3,7 milhões de toneladas.

Siderurgia brasileira busca proteção contra avanço dos importados

Durante sua apresentação, Alckmin destacou a atuação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na adoção de mecanismos de defesa comercial. Segundo ele, o governo elevou para 25% a tarifa de importação aplicada a produtos classificados em 39 NCMs e mantém 17 medidas antidumping em vigor.

As ações alcançaram fornecedores de países como China, Índia, Coreia do Sul, Alemanha e Vietnã. De acordo com o vice-presidente, as medidas contribuíram para reduzir em 15% as importações de aço entre janeiro e julho, enquanto a participação dos produtos importados no mercado interno teria caído de 22,9% para 12,7%.

“As medidas resultaram em queda de 15% no volume de importações de aço no país entre janeiro e julho. O índice de penetração dos produtos importados no mercado interno caiu de 22,9% para 12,7%”, completou.

O cenário, entretanto, continua desafiador para as siderúrgicas. Na abertura do congresso, lideranças do setor apontaram que as usinas brasileiras trabalham com utilização de aproximadamente 60% a 65% da capacidade instalada, enquanto defendem medidas capazes de ampliar a produção nacional.

Alckmin também relacionou o fortalecimento da siderurgia à recuperação da indústria automobilística. Segundo os dados apresentados por ele, a produção de veículos teria avançado de 1,6 milhão para quase 3 milhões de unidades. A partir de janeiro de 2027, está prevista ainda uma alíquota de 35% sobre a importação de veículos, incluindo modelos SKD e CKD.

Reforma tributária e crédito de R$ 22 bilhões entram no pacote

Outro ponto destacado pelo vice-presidente foi a transição para o novo sistema tributário, prevista para começar em 1º de janeiro de 2027. A reforma substituirá cinco tributos incidentes sobre o consumo pelo modelo de IVA dual, formado pelo IBS e pela CBS.

Na apresentação, Alckmin afirmou que a mudança deverá reduzir a cumulatividade e melhorar as condições para investimentos e exportações. Com base em projeções atribuídas ao Ipea, ele citou potencial de aumento de 12% do PIB, 14% dos investimentos e 17% das exportações em um horizonte de 15 anos.

O governo também sinalizou apoio a uma proposta do deputado Arnaldo Jardim relacionada a incentivos para reciclagem e utilização de sucata, matéria-prima importante para parte da produção siderúrgica.

No financiamento, Alckmin informou uma expansão de 248% na oferta de crédito para a indústria metalúrgica. Ele também mencionou o programa Brasil Soberano 3, que prevê R$ 22 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas pelas mudanças no comércio internacional.

As taxas apresentadas variam conforme a finalidade dos recursos, começando em 6% ao ano para investimentos e aquisição de máquinas e chegando a 12% ao ano para capital de giro.

No campo internacional, o vice-presidente também defendeu maior diálogo com o governo dos Estados Unidos para tratar de tarifas e relações comerciais. Durante o congresso, ainda apresentou a possibilidade de criação do ProAço, programa voltado especificamente ao fortalecimento da indústria siderúrgica brasileira.

O conjunto de medidas ocorre em meio a um cenário internacional marcado por excesso de capacidade produtiva, disputas comerciais e pressão de grandes produtores sobre os mercados consumidores. Para a siderurgia brasileira, o desafio envolve aumentar a utilização das usinas, estimular a demanda interna e manter competitividade diante da concorrência estrangeira.

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