Uma nova movimentação no setor de terras raras amplia a atenção sobre uma extensa área entre a Bahia e o Piauí. A empresa canadense Origen Resources anunciou a intenção de assumir 70% do projeto Campo de Cima, que possui 33.075 hectares, após identificar em trabalhos de campo concentrações consideradas anômalas desses minerais em uma região com características geológicas favoráveis à formação de depósitos de argila de adsorção iônica.
A companhia também avança em outra frente no Piauí. No projeto Picos, a primeira etapa de pesquisa de solo foi concluída com a coleta de 328 amostras. A empresa prevê mais 113 coletas e pretende utilizar levantamentos geofísicos para identificar áreas que possam justificar novas investigações.
Somadas, as duas áreas chegam a 68.615 hectares, formando um dos focos de pesquisa mineral voltados às terras raras na borda oriental da Bacia do Parnaíba.
Terras raras avançam sobre uma região considerada estratégica
Os projetos estão localizados em uma faixa que vem sendo estudada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) devido ao potencial para ocorrência de terras raras. A Origen afirma, em comunicados divulgados nos dias 24 e 28 de setembro, possuir o maior conjunto de áreas de exploração desses minerais na região.
O interesse está relacionado principalmente ao tipo de depósito que a empresa pretende investigar. Tanto Campo de Cima quanto Picos têm como alvo formações de argila de adsorção iônica, encontradas próximas à superfície e que podem apresentar características diferentes dos depósitos associados a rochas mais profundas.
Esse tipo de ocorrência desperta atenção da indústria porque, em determinadas condições, a extração pode exigir menor intensidade de escavação e utilização de reagentes em comparação com depósitos de rocha dura.
A relevância desse modelo também aparece em estudos científicos. Dados publicados em 2025 no Journal of Geochemical Exploration, em trabalho de Russo e outros pesquisadores, indicam que depósitos de argila de adsorção iônica respondem por aproximadamente 80% do fornecimento mundial de terras raras pesadas.
Pesquisa ainda está longe de provar uma nova mina
Apesar dos resultados iniciais divulgados pela companhia, as áreas ainda estão em fase de exploração mineral. A identificação de concentrações anômalas de elementos de terras raras indica uma oportunidade para aprofundar as pesquisas, mas não representa, por si só, a confirmação de uma jazida economicamente viável.
No projeto Picos, por exemplo, a continuidade dos trabalhos dependerá dos resultados das novas amostragens e dos levantamentos geofísicos planejados. Esses estudos poderão ajudar a definir quais setores apresentam características mais favoráveis para investigações posteriores.
A Origen também não divulgou, até o momento, estimativas de recursos ou reservas minerais para Campo de Cima ou Picos. Portanto, ainda não há dados que permitam dimensionar o volume potencial de minério ou determinar a viabilidade econômica de uma futura operação.
O avanço das pesquisas, contudo, coloca uma extensa área entre Bahia e Piauí no mapa da corrida por minerais estratégicos. Com 68.615 hectares envolvidos nos dois projetos, a região passa a ser acompanhada de perto à medida que novas etapas de exploração podem revelar se as anomalias identificadas em campo têm potencial para evoluir para descobertas minerais relevantes.


