Uma expedição científica liderada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) está percorrendo o Oceano Atlântico para investigar estruturas no fundo do mar que podem revelar novos dados sobre a formação geológica da região e a ocorrência de minerais estratégicos. A Procordilheira VI terá duração de 29 dias e vai concentrar os trabalhos em três áreas da Cordilheira Mesoatlântica.
A missão integra o projeto Procordilheira – Prospecção de Sulfetos Polimetálicos Maciços na Cordilheira Mesoatlântica e reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. O grupo saiu de Natal (RN) com destino a Fortaleza (CE) e busca identificar fontes hidrotermais marinhas previamente indicadas por levantamentos realizados em expedições anteriores.
Cordilheira Mesoatlântica entra no radar da pesquisa por minerais estratégicos
As fontes hidrotermais são ambientes formados pela circulação de fluidos aquecidos no interior da crosta terrestre. Além de ajudarem os pesquisadores a compreender processos geológicos, essas estruturas podem estar associadas à formação de depósitos minerais no fundo oceânico.
Durante os trabalhos, a equipe realizará levantamentos acústicos e oceanográficos, além da coleta de água e de testemunhos de sedimentos. O material será analisado para identificar características químicas dos fluidos, possíveis sedimentos metalíferos e sinais relacionados à atividade hidrotermal.
A pesquisa também terá uma frente voltada à vida microscópica encontrada nesses ambientes extremos. Amostras de água poderão ser utilizadas para identificar bactérias associadas às partículas minerais e investigar a participação desses organismos em processos como a fixação de carbono.
Pesquisa iniciada em 2012 chega a uma nova fase
A atual expedição é resultado de uma linha de pesquisa iniciada há mais de uma década. Entre 2012 e 2013, o SGB realizou quatro expedições pela Cordilheira Mesoatlântica e analisou uma área de aproximadamente 90 mil km² localizada entre a linha do Equador e o paralelo 13°N.
Na época, levantamentos gravimétricos, magnetométricos e acústicos, combinados com medições das características físico-químicas da água, permitiram mapear estruturas do fundo oceânico. Os resultados apontaram sinais compatíveis com atividade hidrotermal e ajudaram a estabelecer oito áreas consideradas prioritárias para investigação.
Agora, três desses pontos serão examinados com maior detalhamento. Os testemunhos de sedimentos deverão contribuir para reconstruir a história de deposição da região e procurar materiais relacionados à atividade hidrotermal.
A Procordilheira VI reúne 10 profissionais do SGB e outros 19 pesquisadores e estudantes. Geologia, geofísica, oceanografia, biologia, química e geografia estão entre as áreas envolvidas.
A bordo, as equipes realizam aquisição de dados geofísicos, coleta e análise de água e sedimentos, estudos hidroquímicos, pesquisas de microbiologia e metagenômica e operação de sensores capazes de detectar sulfetos na água. O conjunto de informações poderá ampliar o conhecimento sobre o fundo oceânico brasileiro e ajudar a avaliar tanto seu potencial mineral quanto suas possibilidades científicas e biotecnológicas.


