Durante a Exposibram 2026, o Cidades & Minerais conversou com Ana Sanches, CEO da Anglo American no Brasil, sobre os principais projetos e desafios da companhia no país. Entre os assuntos abordados estiveram a produção de minério de ferro, os investimentos em Conceição do Mato Dentro, a Serra da Serpentina, a estratégia global da empresa e o futuro da mineração brasileira.
Segundo Ana, a operação segue em ritmo positivo e a companhia trabalha para encerrar 2026 dentro da projeção apresentada ao mercado, entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas. Para a executiva, entretanto, o desempenho não deve ser avaliado somente pelo volume produzido, mas também pela maneira como os resultados são alcançados.
A CEO destacou ainda a preocupação com segurança, estabilidade operacional e integração entre as equipes. Na avaliação dela, o trabalho colaborativo é um dos fatores importantes para alcançar os resultados esperados pela empresa.
Acordo de R$ 500 milhões movimenta relação com Conceição do Mato Dentro
Outro assunto abordado na entrevista foi a relação da Anglo American com Conceição do Mato Dentro. Ana afirmou que a companhia continua avançando nas ações previstas no acordo voluntário firmado com a prefeitura do município, que envolve R$ 500 milhões.
Os recursos estão distribuídos em três grandes frentes: infraestrutura, educação, com foco no ensino superior, e saúde. A expectativa da executiva é que os projetos comecem a apresentar resultados concretos à população à medida que as iniciativas avancem.
Ana também falou sobre sua atuação como presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), posição que ocupa como primeira mulher a chegar ao comando do órgão. Para ela, a conquista deve servir como incentivo para que outras mulheres ampliem sua presença no setor mineral.
Durante a conversa, a executiva destacou ainda que o Ibram completa 50 anos em 2026 e ressaltou a importância da atuação conjunta das empresas do setor diante dos desafios enfrentados pela mineração brasileira.
Anglo American aposta em cobre, minério de ferro, fertilizantes e zinco
Questionada sobre os próximos passos da companhia, Ana explicou que a estratégia atual da Anglo American está concentrada em três grandes frentes: cobre, minério de ferro de alto teor e fertilizantes. A possível conclusão da combinação com a canadense Teck Resources também deverá acrescentar o zinco ao portfólio da empresa.
A executiva afirmou que a companhia pretende ampliar sua participação em commodities consideradas estratégicas e que, com a operação envolvendo a empresa canadense, deverá ganhar ainda mais relevância na produção mundial de cobre.
A Serra da Serpentina também esteve entre os temas da entrevista. A área, que possui conexão geológica com a Serra do Sapo, permanece em fase de estudos de viabilidade. Segundo Ana, ainda existem diferentes etapas antes de uma eventual exploração mineral, incluindo o processo de licenciamento.
A definição sobre o modelo de transporte do minério também não está concluída. A companhia avalia diferentes alternativas logísticas durante os estudos, considerando aspectos financeiros, operacionais e outros impactos do projeto.
A CEO também defendeu o avanço da industrialização ligada aos minerais estratégicos. Para ela, o Brasil pode buscar maior agregação de valor e desenvolvimento de cadeias produtivas sem abandonar a força que o país já possui na exportação mineral.
“Eu acho que a gente pode sim caminhar numa agenda buscando uma industrialização, mas sem perder a força do que a gente tem hoje. Então eu acho que essas duas coisas podem andar fortemente em paralelo.”
Outro ponto discutido foi a imagem da mineração perante a sociedade. Ana reconheceu que acidentes envolvendo barragens e a associação do setor com atividades ilegais deixaram marcas, mas defendeu uma diferenciação entre operações regulares e responsáveis e a mineração clandestina.
“Então não é sobre acabar com a mineração. É acabar com a mineração ilegal, com a mineração que não atua de forma responsável.”
Para a executiva, a atividade mineral está presente em produtos e tecnologias utilizados diariamente pela população e precisa ser conduzida de maneira responsável, com atenção às comunidades, ao meio ambiente e à segurança.
No encerramento da entrevista, Ana também falou sobre sua trajetória profissional e a conciliação entre carreira e vida pessoal. Ela afirmou que o caminho até a liderança não é simples, mas que determinação e resiliência são fundamentais para mulheres que desejam construir uma carreira na mineração.
E, para quem acompanha sua rotina de perto, a executiva revelou um hábito que começa ainda antes do amanhecer: acorda às 4h45, pratica atividade física, chega cedo ao escritório e mantém uma rotina intensa de compromissos e viagens.
A entrevista completa com Ana Sanches foi realizada pelo Cidades & Minerais durante a Exposibram 2026 e abordou ainda o papel da mineração no desenvolvimento do país, a participação feminina no setor e os caminhos para transformar os recursos minerais brasileiros em maior geração de valor.


