A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou, nesta quinta-feira (3), uma nova fase em sua estrutura de comando. O ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman assumiu a presidência executiva da companhia no lugar de Benjamin Steinbruch, que deixou o cargo após 24 anos. A mudança foi bem recebida pelo mercado e levou as ações da siderúrgica a dispararem quase 20% durante o pregão.
A troca havia sido anunciada pela CSN na quarta-feira (2). Em fato relevante, a companhia informou também que o Conselho de Administração aprovou a eleição de Steinbruch para a presidência do colegiado.
Membro da família controladora do grupo, Steinbruch comandava a diretoria executiva da CSN desde 2002 e integra o Conselho de Administração desde 1993. Ele também já havia presidido o colegiado entre 1995 e 2023.
Com a nova estrutura, Schvartsman passa a concentrar a gestão executiva da companhia, com foco na excelência operacional e na execução da estratégia. Steinbruch, por sua vez, ficará voltado à visão de longo prazo do grupo, ao direcionamento dos grandes investimentos e ao acompanhamento das principais oportunidades de geração de valor.
“Como presidente do Conselho de Administração, seguirei inteiramente comprometido com a companhia, apoiando a gestão e trabalhando na definição da estratégia que deverá orientar a perpetuidade do grupo”, diz Steinbruch.
Além da presidência executiva, ele era responsável pela área institucional e pelas participações minerárias e ferroviárias da CSN. O empresário também preside o Conselho de Administração de outras empresas controladas pelo grupo, entre elas a CSN Mineração.
Novo ciclo
Ao assumir o cargo, Schvartsman afirmou que a CSN reúne ativos de alta qualidade, profissionais qualificados e uma plataforma integrada com grande potencial.
“É uma honra assumir a presidência executiva de uma companhia tão importante para o desenvolvimento do Brasil”, declara.
Segundo o executivo, o desafio será dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Steinbruch durante mais de duas décadas à frente da companhia.
“Felizmente, terei ele e toda a equipe ao meu lado para elevar ainda mais a eficiência, fortalecer a disciplina na execução e transformar as oportunidades do grupo em valor sustentável para acionistas, empregados, clientes, parceiros e comunidades”, completa.
Schvartsman acumula aproximadamente cinco décadas de experiência em grandes empresas brasileiras. A trajetória do executivo é marcada por atuações em processos de transformação empresarial, planejamento estratégico, disciplina financeira, melhoria de desempenho e execução de projetos de grande porte.
Engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele já ocupou posições de liderança em companhias como Duratex, Grupo Ultra, Telemar Participações, San Antonio Internacional, Klabin e Vale.
Para Steinbruch, a experiência do novo presidente será importante para o próximo momento da companhia.
“Sua chegada representa um passo importante para o próximo ciclo da CSN”, afirma.
Passagem pela Vale e processo de Brumadinho
Schvartsman presidiu a Vale entre 2017 e 2019. Ele deixou o comando da mineradora após o rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro de 2019.
Em abril deste ano, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a reabertura das ações penais contra o ex-presidente da Vale relacionadas ao rompimento da estrutura. O colegiado acolheu recurso do Ministério Público Federal (MPF) e entendeu que havia elementos suficientes para o prosseguimento dos processos criminais.
A defesa do executivo apresentou novos recursos contra a decisão. Em agosto, um deles foi rejeitado no STJ, mantendo Schvartsman na condição de réu e o andamento das ações penais na Justiça Federal de Minas Gerais.
Ações chegam a disparar quase 20%
A chegada de Schvartsman ao comando executivo foi recebida positivamente pelo mercado financeiro. As ações da CSN chegaram a subir 19,9% nesta quinta-feira, alcançando R$ 7,17 na máxima do pregão.
Os ganhos perderam força ao longo do dia, mas os papéis encerraram a sessão com valorização de 6,69%.
A mudança ocorre em um momento em que a CSN busca reduzir seu nível de endividamento e avalia a venda de ativos, entre eles a CSN Cimentos e participações em negócios de infraestrutura logística.
Analistas do UBS BB avaliaram positivamente a nomeação de Schvartsman sob a perspectiva da governança, destacando a profissionalização da equipe de gestão da companhia. O executivo também é conhecido no mercado por sua atuação em processos de reestruturação e recuperação de empresas de capital aberto.
O BTG Pactual também classificou a mudança como positiva, apesar de inesperada.
“Schvartsman é um executivo amplamente respeitado pelo mercado, com vasta experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, mais importante, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reposicionar a tese de investimento da CSN”, afirmaram os analistas em relatório a clientes.
Na avaliação do banco, a nova estrutura pode aumentar o foco da companhia em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, além de trazer maior clareza para a estrutura de liderança e para o processo sucessório da CSN.
“Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido na empresa como presidente do conselho de administração, vemos a nova estrutura como uma evolução natural da liderança da CSN”, acrescentaram.
Apesar da avaliação positiva sobre a troca de comando, o BTG ponderou que a atratividade das ações da companhia no médio prazo continuará dependendo da capacidade de execução da nova gestão.
Segundo os analistas, a redução do endividamento, a geração de fluxo de caixa e a concretização da venda de ativos permanecem entre os principais desafios da CSN.
“Ainda precisamos ver avanços concretos nessas frentes antes de adotar uma visão mais positiva ou revisar nossa recomendação neutra”, concluíram.


