A mineração brasileira está diante de uma oportunidade estratégica provocada pelas mudanças no cenário geopolítico mundial, mas a capacidade do país de transformar seu potencial mineral em novos projetos dependerá de um fator considerado decisivo pelo setor: a previsibilidade.
O alerta foi feito por Ana Sanches, presidente da Anglo American Brasil, durante a abertura da Exposibram 2026, em Belo Horizonte. A executiva destacou que a disputa global por minerais estratégicos colocou a mineração no centro das decisões relacionadas à tecnologia, indústria, energia e defesa, aumentando também a competição entre países pela atração de capital.
Para Ana, o Brasil possui uma vantagem natural importante por conta de sua riqueza mineral, mas somente esse potencial não é suficiente para garantir novos investimentos.
Anglo American vê geopolítica aumentando disputa por minerais estratégicos
Na avaliação da presidente da Anglo American Brasil, o papel dos minerais na economia mundial mudou significativamente. A soberania dos países, segundo ela, deixou de estar associada apenas ao controle territorial e passou a envolver também capacidade tecnológica, industrial, energética e de defesa.
“É um tema tão atual e tão relevante. Quando a gente pensa em geopolítica, e de uns tempos para cá a gente está vendo a mineração cada vez mais no centro dessa disputa geopolítica, a gente está falando de disputa de poder.”
Ela destacou que essa transformação cria uma janela de oportunidades para países com grande potencial mineral, como o Brasil.
“E hoje em dia, quando você pensa em soberania, você está falando de tecnologia, de indústria, de energia, de defesa. Então a agenda mudou drasticamente e é uma coisa que a gente sabe que a agenda vai mudar ainda mais.”
Nesse cenário, o Brasil disputa investimentos com outros países. Ana explicou que as decisões de grandes grupos internacionais levam em consideração diferentes fatores antes da definição de onde o capital será aplicado.
A presidente ressaltou ainda que o Brasil precisa avançar além do reconhecimento de seu potencial geológico. O desafio seria transformar os recursos disponíveis em projetos concretos, capazes de gerar investimentos e retorno econômico.
Previsibilidade é apontada como chave para novos projetos
Para Ana Sanches, um dos principais elementos observados pelos acionistas antes da realização de investimentos de longo prazo é justamente a previsibilidade. Sem segurança quanto às condições institucionais e regulatórias, projetos de grande porte podem perder atratividade diante de alternativas existentes em outros mercados.
A executiva reconheceu a dimensão das oportunidades existentes no território brasileiro, mas ponderou que a riqueza mineral precisa ser acompanhada de condições capazes de viabilizar sua transformação em empreendimentos.
Na visão apresentada durante a Exposibram, o próximo passo para o setor não deve ser apenas identificar os problemas, mas construir mecanismos para enfrentá-los conjuntamente.
“Acho que o primeiro ponto que eu queria realmente trazer é essa questão, como nesse momento de tanta disputa geopolítica a gente pode dar mais previsibilidade aos nossos investimentos de longo prazo, para que a gente possa garantir essa atratividade e possa garantir esse retorno que os acionistas esperam.”
Ana também defendeu uma aproximação maior entre iniciativa privada e poder público para encontrar soluções que permitam ao Brasil aproveitar o momento favorável para os minerais estratégicos.
“Nosso setor privado, a gente não vai conseguir fazer isso sozinhos, o governo também não consegue fazer isso sozinhos, então acho que quanto mais a gente conseguir andar juntos, conhecendo as dores, trazendo esse discurso de uma forma qualitativa e quantitativa, mas trazendo para a prática, para buscar as soluções conjuntas.”
Ao encerrar sua avaliação, a presidente da Anglo American reforçou que a previsibilidade está diretamente ligada à competitividade brasileira na disputa internacional por investimentos.
A declaração coloca em evidência um dos principais debates da mineração brasileira em um momento em que minerais críticos e estratégicos ganharam importância nas decisões econômicas e geopolíticas internacionais. Para o setor, o desafio agora é transformar a vantagem mineral brasileira em projetos efetivos, garantindo condições para que investimentos de longo prazo sejam considerados atrativos.


