A Serra deixou de ser apenas um dos municípios mais populosos do Espírito Santo para assumir também o posto de maior economia municipal do Estado. Entre 2002 e 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade avançou 735%, saindo de R$ 4,51 bilhões para R$ 37,65 bilhões.
O salto econômico ocorreu em um período no qual a população cresceu 52%. A diferença entre os dois indicadores mostra a velocidade com que a atividade econômica se expandiu no município e ajuda a explicar a posição alcançada pela Serra, que passou a superar inclusive Vitória em geração de riqueza.
Por trás desse crescimento está uma combinação de atividades industriais, logísticas, comerciais e de serviços. Entre os grandes nomes instalados no território municipal está a ArcelorMittal Tubarão, uma das principais operações siderúrgicas do país.
ArcelorMittal coloca a Serra no mapa da produção de aço
Localizada na Serra, a Unidade Tubarão possui capacidade instalada para produzir 7,5 milhões de toneladas de aço por ano. A planta fabrica placas de aço e bobinas laminadas a quente, produtos destinados tanto ao mercado brasileiro quanto ao exterior.
A presença da siderúrgica ajuda a dimensionar a importância da indústria para a economia local. A unidade começou a operar em 1983 com capacidade de 3 milhões de toneladas anuais e, ao longo das décadas, passou por sucessivas ampliações até chegar ao patamar atual de produção.
A escala da operação também movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, logística, serviços especializados, trabalhadores e atividades relacionadas ao setor industrial, ampliando os efeitos econômicos da siderurgia para além dos limites da própria usina.
E a participação da ArcelorMittal na transformação econômica da Serra pode ganhar ainda mais peso nos próximos anos.
Novo investimento de até R$ 5 bilhões pode ampliar impacto econômico na Serra
Em 28 de agosto de 2026, a ArcelorMittal confirmou a aprovação de um novo investimento entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na Unidade Tubarão. O projeto prevê a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e de uma Linha de Revestimento Contínuo, voltados à produção de materiais de maior valor agregado.
A nova estrutura deverá produzir até 560 mil toneladas anuais de produtos processados a partir das bobinas laminadas a quente fabricadas na própria unidade. A expectativa é que as obras comecem ainda em 2026 e durem aproximadamente três anos e meio. No pico da construção, a previsão é de cerca de 3 mil empregos, enquanto a operação deverá contar com aproximadamente 450 profissionais. O início das atividades está projetado para o primeiro semestre de 2030.
O movimento reforça uma característica que acompanha a trajetória econômica da Serra: a presença de grandes empreendimentos industriais capazes de movimentar investimentos, empregos e uma cadeia de negócios ao redor.
Enquanto o PIB municipal saltou 735% em 21 anos, o PIB per capita também avançou de forma expressiva. O indicador passou de R$ 13,18 mil em 2002 para R$ 72,31 mil em 2023, uma alta de 449%.


