A produção brasileira de terras raras deu mais um passo nesta semana com a entrega de um lote de 5 quilos de carbonato misto de terras raras (MREC) pela Viridis. O material foi produzido em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, e entregue na quarta-feira (26) ao Instituto de Terras Raras, vinculado ao Centro de Inovação e Tecnologia do SENAI de Minas Gerais (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa.
O lote será utilizado em uma sequência de etapas que envolve diferentes centros tecnológicos brasileiros. O objetivo é transformar o material produzido em Minas Gerais em insumos e, posteriormente, em liga metálica que poderá ser utilizada na fabricação de ímãs de terras raras.
A movimentação ganha relevância em um setor considerado estratégico para tecnologias ligadas à transição energética e reduz a dependência de uma cadeia produtiva concentrada internacionalmente.
Terras raras percorrem três centros tecnológicos antes de virar liga metálica
Depois da entrega em Lagoa Santa, o carbonato seguirá para o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), no Rio de Janeiro. Na unidade, será realizado o processo de separação dos diferentes óxidos de terras raras presentes no material.
A etapa seguinte ocorrerá em São Paulo, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT-USP), onde os óxidos serão utilizados na produção de uma liga metálica. Depois disso, o material retornará a Minas Gerais para ser submetido a testes no laboratório-fábrica de ímãs de terras raras instalado no CIT SENAI ITR.
A estrutura de Lagoa Santa é considerada a maior desse tipo no Hemisfério Sul e integra uma estratégia voltada à formação de uma cadeia nacional para a produção de ímãs permanentes.
Planta de Poços de Caldas pode ampliar produção de terras raras
O material entregue agora foi produzido no Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), da Viridis, localizado no Distrito Industrial de Poços de Caldas. A planta-piloto tem capacidade para processar 100 quilos de minério por hora e alcançar uma produção anual de até 2.920 quilos de carbonato misto.
A unidade também ocupa papel importante no desenvolvimento do Projeto Colossus, empreendimento que ainda está em processo de licenciamento ambiental e tem previsão de iniciar a operação comercial em 2028.
A iniciativa amplia uma trajetória que já havia registrado uma etapa anterior em 2025. Naquele ano, a Viridion, joint venture formada pela Viridis e pela Ionic Technologies, entregou ao CIT SENAI ITR um lote de óxidos de terras raras obtidos por meio da reciclagem de ímãs permanentes descartados.
A diferença agora está na origem do material. Em vez de vir da reciclagem de componentes usados, o novo lote foi obtido a partir de minério nacional, extraído e processado em Poços de Caldas.
O CIT SENAI ITR é mantido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e participa do Projeto MagBras, iniciativa aprovada no Programa Mover que reúne empresas do setor mineral, startups e indústrias para estruturar uma cadeia brasileira de produção de ímãs de Neodímio, Ferro e Boro (NdFeB).
Esses componentes são utilizados em diversas tecnologias consideradas relevantes para a transição energética, o que coloca o desenvolvimento de uma cadeia nacional de terras raras no centro de uma disputa tecnológica e industrial cada vez mais estratégica.


