Geopolítica reposiciona a mineração brasileira no cenário global

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A Exposibram 2026 começou na segunda-feira (24), em Belo Horizonte, colocando a geopolítica no centro das discussões sobre os rumos da mineração. O Talk Show de abertura, intitulado “Mineração e Geopolítica”, reuniu executivas e executivos de grandes empresas para discutir os efeitos das mudanças no cenário internacional sobre investimentos, cadeias de suprimentos, segurança energética, descarbonização e projetos de longo prazo.

Participaram do debate Patrícia Procópio, presidente da Women in Mining Brasil e CEO da Geraes Strategy; Gisele Salvador, CFO da Alcoa Brasil; Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale; Jean Silva Cintra, CFO da Lundin Mining Brasil; e Mariette Bylsma, presidente de joint ventures da BHP.

Exposibram 2026 coloca geopolítica no centro das decisões

Na abertura do painel, Patrícia Procópio destacou que as questões geopolíticas passaram a influenciar diretamente decisões empresariais e estratégias de diferentes setores. Na avaliação da executiva, o conceito de soberania também ganhou novas dimensões e hoje envolve, além dos recursos minerais, tecnologia, dados, energia, logística e segurança das cadeias de abastecimento.

O cenário internacional, marcado por mudanças frequentes e maior instabilidade, exige das empresas uma preparação capaz de lidar com diferentes possibilidades. Nesse contexto, planejamento, governança e gerenciamento de riscos foram apontados como elementos fundamentais para decisões que precisam considerar horizontes de longo prazo.

Gisele Salvador ressaltou que os movimentos geopolíticos fazem parte dos ciclos econômicos e políticos e que as empresas precisam desenvolver estratégias capazes de atravessar esses períodos sem abandonar seus objetivos.

A executiva acrescentou que mudanças constantes no ambiente externo não devem levar as companhias a alterar completamente seus planos. “Não dá para alterar a estratégia toda vez que o cenário muda, mas é importante uma previsão de futuro”, afirmou.

Mineração brasileira busca transformar potencial em resultados

A transição energética também apareceu como um dos principais temas do debate. Para Grazielle Parenti, o momento oferece ao Brasil uma oportunidade relevante devido à combinação de recursos minerais e capacidade energética, mas o país precisa transformar suas vantagens naturais em resultados concretos.

A executiva da Vale também destacou que o movimento global de redução das emissões deve continuar influenciando os mercados e as estratégias empresariais.

Nesse cenário, a capacidade de tornar as cadeias de valor mais resistentes a interrupções foi apontada como uma prioridade. Jean Silva Cintra ressaltou que a estabilidade é importante para atrair investimentos e que as empresas precisam compreender os riscos associados ao ambiente internacional, além de buscar alternativas de fornecedores para reduzir impactos sobre custos e logística.

Mariette Bylsma destacou que os fatores geopolíticos já fazem parte das decisões cotidianas das empresas e exigem capacidade de adaptação, agilidade e disciplina.

No encerramento, os participantes reforçaram a necessidade de uma estratégia de longo prazo para que o Brasil consiga transformar sua disponibilidade de recursos minerais em desenvolvimento econômico. Entre os pontos destacados estiveram a criação de um planejamento que ultrapasse diferentes governos, além da necessidade de estabilidade, investimentos, inovação e parcerias para fortalecer a posição brasileira nas cadeias globais de valor.

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