A Exposibram 2026 começou nesta segunda-feira (24), em Belo Horizonte, com números que mostram a dimensão alcançada pelo evento do setor mineral. Na abertura, o presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, ressaltou o crescimento da feira e aproveitou o encontro para defender novas formas de estimular o financiamento da pesquisa mineral no Brasil.
A edição deste ano conta com 750 expositores distribuídos em mais de 17 mil metros quadrados. O congresso reúne ainda 270 palestrantes e ultrapassa a marca de 3 mil participantes inscritos. Para Cesário, a dimensão da programação coloca o evento entre os grandes encontros internacionais da mineração.
“Esse é o maior evento que nós já fizemos e é provavelmente um dos maiores do mundo”, afirmou.
Exposibram amplia espaço para negócios e debates

Além da exposição de máquinas, tecnologias, equipamentos e serviços, a programação da Exposibram inclui uma série de discussões sobre os principais desafios enfrentados pela mineração. Cesário explicou que a feira funciona como uma vitrine para fornecedores e empresas, mas que a concretização dos negócios normalmente ocorre posteriormente.
Isso acontece, segundo o dirigente, porque muitos dos produtos e serviços apresentados ao mercado mineral envolvem processos complexos, equipamentos de grande porte e decisões que demandam planejamento ao longo do ano.
A programação da Exposibram 2026 prossegue até quinta-feira (27), com palestras, debates e encontros técnicos voltados a diferentes áreas da mineração brasileira.
Pesquisa mineral pode ganhar novo modelo de financiamento
Durante a abertura, o presidente interino do Ibram também chamou atenção para uma dificuldade considerada estratégica para o desenvolvimento do setor: a obtenção de recursos para pesquisa mineral.
Cesário afirmou que o instituto vem discutindo com o Ministério da Fazenda e a Casa Civil alternativas para ampliar a participação do poder público no financiamento dessa etapa. Entre as possibilidades está a adoção de um modelo semelhante ao flow-through shares, mecanismo utilizado no Canadá e na Austrália para incentivar investimentos em projetos de pesquisa mineral.
A proposta busca enfrentar um dos principais obstáculos da atividade. Antes que uma ocorrência mineral possa se transformar em uma operação economicamente viável, as empresas precisam realizar sucessivos investimentos, sem garantia de que o trabalho resultará em uma descoberta com potencial de exploração. “Para cada mil anomalias, uma gera uma mina”, explicou.
Na avaliação de Cesário, um mecanismo desse tipo poderia diminuir parte dos riscos envolvidos e tornar a pesquisa mineral mais atrativa para investidores. A medida também poderia contribuir para ampliar a busca por novas reservas no país, etapa considerada fundamental para garantir a continuidade e a expansão da atividade mineradora.


