A relação entre Itabira e a mineração apresentou um dos resultados mais favoráveis das últimas duas décadas. Levantamento realizado pelo DataMG entre 7 e 9 de agosto de 2026, com 300 entrevistados, aponta que 82% avaliam que a Vale proporciona mais benefícios do que prejuízos ao município.
O índice é o mais alto desde o início da série histórica, em 2006. Na pesquisa atual, 17% dos participantes consideraram que a atuação da empresa provoca mais efeitos negativos, enquanto 1% não soube responder ou preferiu não opinar.
O levantamento também mostra que a percepção da população passou por oscilações importantes ao longo dos anos, acompanhando diferentes momentos da economia e da atividade mineral em Itabira.
Vale registra maior aprovação desde 2006
Quando o histórico é observado em perspectiva, o resultado de 2026 ganha ainda mais relevância. Em 2006, primeiro ano da série, 71% dos entrevistados avaliavam positivamente a presença da Vale na cidade.
Três anos depois, em 2009, o cenário era bastante diferente. Em meio aos impactos da crise financeira internacional iniciada em 2008, a aprovação recuou para 43%, enquanto a avaliação negativa alcançou 46%. O período também foi marcado por demissões e pela retração da atividade econômica ligada à mineração em Itabira.
A percepção favorável voltou a ganhar espaço nos anos seguintes. Em 2015, o indicador chegou a 68%. Já em 2020, um ano após o rompimento da barragem de Brumadinho, a avaliação positiva permanecia em 69%.
A trajetória continuou ascendente na sequência. O percentual passou para 78% em 2023 e chegou aos atuais 82% em 2026, estabelecendo o maior patamar já identificado pelo levantamento.
Novas perspectivas para a mineração em Itabira
O resultado aparece em um período de novas projeções para a atividade mineral no município. Em março deste ano, a Vale informou que ampliou a previsão de duração de suas operações em Itabira, que anteriormente era estimada até 2041 e passou a considerar o horizonte de 2053.
A mudança está relacionada a iniciativas envolvendo estudos geológicos, processamento do minério e aplicação de tecnologias voltadas ao aproveitamento dos recursos existentes.
Para uma cidade cuja trajetória econômica e identidade estão profundamente associadas ao minério de ferro, os números da pesquisa ajudam a ilustrar como a população percebe esse relacionamento em diferentes fases. A discussão, porém, envolve questões que vão além da continuidade das operações, incluindo geração de oportunidades, desenvolvimento econômico, qualidade de vida, impactos socioambientais e diversificação da economia local.
A sequência histórica também permite observar que a opinião pública não permanece estática. Mudanças no cenário econômico, nos resultados da mineração e nas questões sociais e ambientais podem influenciar a maneira como a população enxerga a atividade.
A partir dos levantamentos do DataMG e da experiência da SuperDados em pesquisas e inteligência territorial, está sendo estruturado um indicador destinado a acompanhar especificamente a percepção social sobre a mineração. A proposta considera aspectos como confiança, apoio à atividade, percepção dos benefícios e impactos, relação com a comunidade e expectativas para o futuro.
A ferramenta também poderá contribuir para o acompanhamento da chamada Licença Social para Operar (LSO), conceito utilizado para avaliar o nível de aceitação e confiança de uma comunidade em relação à presença e às operações de uma empresa.
Metodologia: pesquisa DataMG realizada em Itabira entre 7 e 9 de agosto de 2026, com 300 entrevistados.


