O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chamou atenção para os possíveis efeitos ambientais associados aos projetos de mineração de terras raras previstos para o Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.
Em uma informação técnica, o órgão defende que os empreendimentos não sejam analisados somente de forma individual. A recomendação é considerar os efeitos que diferentes projetos podem provocar simultaneamente sobre o território e seus recursos naturais.
Terras raras exigem avaliação integrada dos projetos
Na avaliação do Ibama, a concentração de atividades de mineração em uma mesma área pode gerar efeitos combinados sobre rios, sistemas hídricos, biodiversidade e outros elementos do meio ambiente.
Por isso, o instituto considera necessário adotar uma análise mais ampla, capaz de identificar possíveis impactos acumulados. A preocupação é que uma avaliação isolada de cada empreendimento não consiga revelar a dimensão dos efeitos provocados pela atuação conjunta dos projetos.
O documento também aponta a existência de lacunas nas informações disponíveis atualmente, indicando a necessidade de ampliar os estudos antes de uma avaliação definitiva dos impactos ambientais.
Antiga mina de urânio entra no radar ambiental
Outro ponto destacado pelo Ibama é a necessidade de considerar nas análises uma área de responsabilidade da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), relacionada ao processo de descomissionamento da antiga unidade de mineração de urânio em Caldas.
O local possui um passivo nuclear associado a toneladas de material radioativo, o que, segundo a avaliação apresentada, deve ser levado em conta nos estudos sobre os efeitos dos novos projetos de mineração de terras raras na região.
A recomendação do instituto é que os estudos adotem uma visão territorial mais abrangente, levando em consideração não apenas cada empreendimento separadamente, mas também a interação entre as diferentes atividades e os passivos ambientais já existentes na região.


