A Vale desacelerou o andamento dos projetos para implantação de complexos industriais, conhecidos como “mega hubs”, no Oriente Médio em razão dos impactos da guerra no Irã. A informação foi confirmada nesta terça-feira (4) pelo presidente da companhia, Gustavo Pimenta, durante evento promovido pela S&P, no Rio de Janeiro.
As iniciativas fazem parte da estratégia da mineradora para desenvolver soluções voltadas à produção de minério de ferro de baixo carbono destinado à indústria siderúrgica. Nos últimos anos, a empresa firmou acordos com clientes para implantação de unidades de produção de hot-briquetted iron (HBI) na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã.
Segundo Pimenta, os projetos continuam em avaliação e seguem sendo discutidos com os parceiros, mas tiveram o ritmo reduzido diante do cenário de instabilidade geopolítica. “Com a guerra, os projetos seguem sendo avaliados e discutidos, mas eles desaceleraram”, afirmou.
O executivo explicou que a companhia acompanha a evolução do conflito e avalia quais condições permitirão retomar o avanço das iniciativas. Apesar da desaceleração, destacou que o Oriente Médio continua sendo uma região estratégica para esse tipo de investimento devido ao acesso a gás natural de baixo custo e à posição logística favorável.
“Do ponto de vista fundamental e do ponto de vista estrutural, segue sendo uma região atrativa porque tem gás natural barato, tem uma questão logística muito importante”, acrescentou.
Anteriormente, a Vale projetava iniciar as operações do primeiro complexo industrial na região em 2027.
Descarbonização continua como prioridade
Mesmo com o adiamento dos projetos, Gustavo Pimenta reforçou que a descarbonização da indústria permanece como uma tendência irreversível e continuará sendo uma das prioridades estratégicas da companhia.
Segundo ele, fatores externos, como conflitos internacionais, podem provocar oscilações no ritmo dos investimentos, mas não alteram a direção de longo prazo do setor.
“Ela (a descarbonização) vai ter ‘ups and downs’, ela vai ter subidas e descidas ao longo do tempo e questões como guerra, isso tudo impacta. Mas a direção da descarbonização em função da questão de emissão de CO₂ está dada, e eu acho que para a Vale vai seguir sendo um posicionamento estratégico importante”, afirmou.
Vale defende incentivos para minerais críticos
Durante o evento, Pimenta também afirmou que participa de discussões com o governo federal sobre o fortalecimento da cadeia de minerais críticos no Brasil. Na avaliação do executivo, o país precisará criar incentivos governamentais e mecanismos comerciais para tornar o setor competitivo internacionalmente.
Segundo ele, a liderança da China no refino desses minerais foi construída com elevado nível de eficiência, impulsionado por políticas públicas e, em alguns casos, por subsídios governamentais.
“Eu acho muito difícil (sem incentivos) porque o grau de eficiência que o mercado chinês, por exemplo, conseguiu alcançar, inclusive com o apoio do governo e em alguns casos de subsídios, fez com que eles chegassem ao nível de eficiência que é difícil você replicar.”
Pimenta acrescentou que muitas das maiores plantas de refino de minerais críticos localizadas fora da China enfrentam dificuldades financeiras, o que reforça a necessidade de estímulos para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva.
Apesar da defesa de incentivos ao setor, o presidente da Vale afirmou que a companhia não pretende atuar no refino de minerais críticos. Segundo ele, a estratégia da empresa permanece concentrada na produção mineral. “O nosso papel é ser o melhor operador de ‘upstream’ possível. É isso que a gente sabe fazer.”
A Vale é uma das principais produtoras mundiais de níquel e cobre, minerais considerados estratégicos para a transição energética e para tecnologias de baixa emissão de carbono.


