O Pará deve ultrapassar Minas Gerais e se tornar o maior produtor mineral do Brasil nos próximos anos. A avaliação é de executivos do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que apontam o ritmo acelerado de crescimento da atividade mineral no estado paraense e o potencial de suas reservas como fatores decisivos para a mudança de liderança.
De acordo com o diretor-presidente do Ibram, Pablo Cesário, o Pará, atualmente a segunda maior província mineral do país, apresenta uma expansão superior à de Minas Gerais e caminha para assumir o protagonismo nacional na produção mineral.
O diretor de Assuntos Minerários do instituto, Julio Nery, explica que a tendência é impulsionada principalmente pelas extensas reservas de minério de ferro, cobre e níquel existentes no Pará.
Segundo ele, embora Minas Gerais e Pará sejam grandes produtores de minério de ferro, a exploração mineral teve trajetórias diferentes. Enquanto a atividade no Quadrilátero Ferrífero começou na década de 1940, em Carajás a produção teve início apenas na década de 1980.
“Ainda há muita coisa para se desenvolver no Pará”, afirma.
Outro diferencial está na qualidade do minério. Conforme Nery, o minério de ferro extraído atualmente no Pará possui teor entre 62% e 65% de ferro, o que aumenta seu valor comercial. Em Minas Gerais, esse índice varia entre 58% e 62%, reflexo do esgotamento gradual das jazidas mais ricas exploradas ao longo das últimas décadas.
Minas Gerais mantém protagonismo na diversidade mineral
Apesar da perspectiva de perder a liderança em volume de produção, Minas Gerais deverá continuar ocupando posição estratégica na mineração brasileira. O estado concentra uma das maiores diversidades minerais do país, com importantes reservas de lítio, terras-raras e outros minerais considerados essenciais para a transição energética.
Enquanto o Pará amplia sua participação na produção de minério de ferro, cobre e níquel, Minas tende a se destacar pela diversidade de recursos e pela capacidade técnica instalada.
Conhecimento deve ser o novo diferencial mineiro
Para Pablo Cesário, o futuro da mineração mineira passa também pelo fortalecimento da pesquisa, da inovação e da formação de profissionais especializados.
“Haverá um novo modo de trabalhar. Minas Gerais continuará sendo uma economia mineira, só que ela vai migrar para outros tipos de atividade, como construção de conhecimento, exploração em outros locais e pesquisa”, diz.
Segundo o presidente do Ibram, um dos principais desafios do Pará ainda é ampliar o conhecimento geológico sobre seu território.
“O Pará tem uma riqueza enorme, mas o conhecimento sobre esse potencial é pequeno. Minas Gerais tem todo o seu território mapeado, talvez no que há de melhor da cartografia brasileira hoje”, observa Cesário.
Atualmente, Minas Gerais é o único estado brasileiro com todo o território mapeado na escala 1:100.000, considerada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) a mais adequada para investimentos em mineração. De acordo com Julio Nery, o Pará possui menos da metade dessa cobertura cartográfica.
O diretor do Ibram compara o cenário futuro de Minas Gerais ao do estado norte-americano do Colorado, referência mundial em pesquisa, engenharia e consultoria mineral. Na avaliação dele, mesmo com menor protagonismo na produção, Minas poderá consolidar sua posição como centro de conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico para a mineração brasileira.


