O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aprovação de um financiamento de R$ 100 milhões para impulsionar um projeto voltado à produção de níquel e cobalto no município de Capitão Gervásio Oliveira, no Sul do Piauí. O investimento será aplicado na aquisição de equipamentos, sistemas industriais e serviços que farão parte da estrutura de processamento mineral da futura operação.
A iniciativa é conduzida pela Piauí Níquel Metais, empresa ligada à britânica Brazilian Nickel, que pretende colocar a unidade em funcionamento no início da próxima década. A expectativa é que a produção comercial tenha início em 2030, fortalecendo a participação brasileira no mercado internacional de minerais considerados estratégicos para a transição energética.
Projeto de níquel e cobalto deve atender mercado internacional
Quando entrar em operação, o empreendimento terá capacidade para produzir cerca de 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto por ano. O foco da produção será o chamado MHP (Mixed Hydroxide Precipitate), um composto intermediário que reúne os dois minerais e serve como matéria-prima para processos de refino em outros países.
Embora não seja o produto final utilizado pela indústria, o MHP possui maior valor agregado do que o minério bruto, pois concentra os metais em uma etapa intermediária da cadeia produtiva. Esse material é amplamente utilizado por refinarias que posteriormente transformam o níquel em produtos destinados à fabricação de baterias para veículos elétricos, ligas metálicas e outros segmentos industriais.
Segundo o BNDES, os recursos poderão financiar a compra de máquinas, equipamentos industriais, componentes, sistemas de automação, bens de informática e serviços produzidos no Brasil. Em situações nas quais não exista fabricação nacional equivalente, também será possível adquirir equipamentos importados.
A produção prevista pela Brazilian Nickel será direcionada ao mercado externo, acompanhando a crescente demanda de países como Estados Unidos e integrantes da União Europeia, que buscam diversificar o fornecimento de minerais críticos utilizados em tecnologias de energia limpa.
BNDES amplia investimentos em minerais críticos
O apoio ao empreendimento faz parte de uma estratégia mais ampla do governo federal para ampliar a participação do Brasil nas etapas de processamento de minerais estratégicos, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima sem beneficiamento.
Além das linhas de financiamento tradicionais, o banco estuda ampliar sua atuação por meio da BNDESPar, braço de participações da instituição, permitindo investimentos diretos em empresas do setor mineral. A proposta busca compartilhar riscos em projetos de grande porte, que exigem elevados aportes financeiros e costumam demandar vários anos até o início da produção.
Outra frente de atuação envolve a participação do banco em um fundo criado em parceria com a Vale para apoiar empresas de pequeno e médio porte que desenvolvem pesquisas e projetos relacionados a minerais estratégicos.
Apesar do avanço no processamento previsto para o projeto no Piauí, a configuração atual ainda não contempla etapas como o refino do MHP em sulfatos de níquel e cobalto ou a fabricação de componentes para baterias em território brasileiro. Dessa forma, o material deverá seguir para refinarias internacionais antes de chegar à indústria de veículos elétricos e outros setores de alta tecnologia.


