Durante muito tempo, a imagem do arquiteto esteve associada quase exclusivamente ao desenho de casas. Embora essa continue sendo uma das faces da profissão, ela representa hoje apenas uma parte de um universo muito mais amplo.
Nas cidades brasileiras, especialmente nas de médio porte, a arquitetura vem assumindo funções estratégicas relacionadas ao planejamento urbano, à gestão de empreendimentos, à qualificação dos espaços públicos e privados e à construção de ambientes mais eficientes, seguros e sustentáveis.
Essa transformação acompanha mudanças profundas na própria dinâmica urbana. O crescimento das cidades, a necessidade de compatibilizar interesses públicos e privados, as exigências regulatórias e a busca por qualidade de vida ampliaram significativamente o campo de atuação dos arquitetos.
Em Itabira, a trajetória da Simple Arq&Design reflete essa evolução. Fundada pelo arquiteto e urbanista André Lage, a empresa expandiu sua atuação muito além dos projetos residenciais e hoje trabalha em diferentes segmentos da arquitetura, atendendo empreendimentos comerciais, corporativos, institucionais e da área da saúde, além de prestar consultorias técnicas, realizar estudos de viabilidade, regularizações, análises de projetos, fiscalização de obras e desenvolver soluções voltadas ao planejamento e à expansão urbana.
“A arquitetura hoje possui um papel muito mais amplo do que apenas a criação de projetos residenciais. Entendemos que o nosso trabalho está diretamente ligado ao desenvolvimento das cidades, à valorização dos espaços e à melhoria da experiência das pessoas com os ambientes que ocupam”, resume André Lage.
Muito além das casas

A mudança no perfil da profissão acompanha uma realidade que se tornou comum em praticamente todas as cidades brasileiras.
Cada novo empreendimento — seja um edifício residencial, uma clínica médica, um centro comercial ou um condomínio fechado — envolve uma série de estudos técnicos, exigências legais, avaliações de impacto, compatibilização entre diferentes projetos e acompanhamento especializado durante sua execução.
Nesse contexto, o arquiteto deixa de atuar apenas como autor do projeto para assumir também funções de consultor, gestor e articulador entre clientes, construtores, órgãos públicos e equipes técnicas.
Segundo André Lage, essa diversidade exige constante atualização profissional.
“Cada tipo de empreendimento possui necessidades específicas, normas próprias e diferentes níveis de complexidade, o que demanda um olhar técnico mais aprofundado e uma constante atualização de conhecimentos.”
Essa atuação multidisciplinar permite integrar aspectos estéticos, funcionais, técnicos, legais e operacionais desde as fases iniciais dos empreendimentos.
Gestão e qualidade dos empreendimentos
Uma das áreas que mais cresceram nos últimos anos é a prestação de serviços técnicos para condomínios residenciais.
Nesse segmento, a arquitetura atua preventivamente, verificando se novas construções, reformas e ampliações seguem os padrões urbanísticos, construtivos e legais previamente estabelecidos.
A Simple mantém contratos permanentes em condomínios de Itabira, entre eles o BelleVille, onde realiza fiscalização de obras, e o Village da Lagoa, responsável pela análise de projetos e consultoria técnica.
Embora muitas vezes pouco percebido pelos moradores, esse trabalho influencia diretamente a segurança das edificações, a preservação da identidade arquitetônica dos empreendimentos e sua valorização patrimonial.
Antes do início de uma obra, por exemplo, os projetos passam por análise técnica para verificar conformidade com normas internas e legislação urbanística. Durante a execução, a fiscalização busca assegurar que aquilo que foi aprovado esteja efetivamente sendo construído.
“Acreditamos que a arquitetura também tem esse papel de gestão e cuidado com os espaços construídos, garantindo que o desenvolvimento aconteça de forma equilibrada, segura e sustentável”, afirma André.
Na avaliação do arquiteto, empreendimentos bem organizados tendem a preservar seu padrão urbanístico ao longo do tempo, fator que contribui para a valorização imobiliária e para a qualidade de vida dos moradores.
Arquitetura especializada para a saúde
Outro segmento que vem exigindo elevado grau de especialização é o da arquitetura voltada para estabelecimentos de saúde.
Projetar clínicas, consultórios, hospitais ou centros de diagnóstico envolve requisitos muito mais rigorosos do que aqueles normalmente encontrados em empreendimentos convencionais.
Fluxos de pacientes, circulação de materiais, controle sanitário, acessibilidade, biossegurança, instalações específicas e normas técnicas precisam ser considerados desde os primeiros estudos.
Grande parte desses projetos depende ainda da aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), processo que exige conhecimento detalhado da legislação e compatibilização entre arquitetura, engenharia e operação dos serviços de saúde.
Segundo André Lage, a regularização deve ser incorporada desde o início do desenvolvimento dos projetos.
A experiência acumulada pela empresa nesse segmento permite integrar planejamento, compatibilização técnica e regularização documental, reduzindo riscos de atrasos, retrabalhos e custos adicionais.
Arquitetura como instrumento de desenvolvimento
O crescimento das cidades médias brasileiras vem ampliando a importância do planejamento urbano.
Municípios que buscam diversificar suas economias enfrentam desafios relacionados à ocupação do solo, mobilidade, infraestrutura, preservação ambiental e qualificação dos espaços urbanos.
Nesse cenário, arquitetos e urbanistas passam a atuar cada vez mais próximos dos processos de desenvolvimento territorial.
Para André Lage, Itabira vive exatamente esse momento.
Historicamente ligada à mineração, a cidade precisará estruturar novas oportunidades econômicas nas próximas décadas, processo que exigirá planejamento urbano consistente e projetos capazes de integrar desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida.
“O futuro da arquitetura e do desenvolvimento urbano passa por uma visão cada vez mais integrada entre planejamento, inovação e qualidade de vida.”
Na avaliação do arquiteto, existe espaço crescente para profissionais que participem não apenas da elaboração de projetos, mas também dos estudos de viabilidade, do planejamento estratégico, da execução e da gestão dos empreendimentos.
Planejar a transição das cidades mineradas
Se a arquitetura contemporânea amplia seu campo de atuação para o planejamento e a gestão do território, um dos maiores desafios colocados para cidades como Itabira é justamente preparar o futuro em um contexto de transformação econômica.
Para André Lage, esse processo exige uma mudança de perspectiva: antes de decidir quais investimentos realizar ou quais políticas priorizar, é preciso compreender profundamente a realidade do território.
Foi dessa reflexão que surgiu o Modelo de Transição Territorial Mineradora (MTTM), metodologia desenvolvida pela Simple Arq&Design com o objetivo de integrar informações que, normalmente, permanecem dispersas entre estudos ambientais, planejamento urbano, indicadores econômicos e ações sociais.
Segundo André, muitas decisões sobre o desenvolvimento das cidades ainda são tomadas de forma fragmentada, o que reduz a eficiência dos investimentos públicos e privados.
“O MTTM transforma dados territoriais em decisões estratégicas para criar novos ciclos de desenvolvimento”, resume.
A metodologia parte de um diagnóstico amplo da realidade local.
Além da infraestrutura urbana, o estudo considera aspectos econômicos, ambientais, sociais, culturais e institucionais, buscando identificar tanto vulnerabilidades quanto oportunidades para o desenvolvimento futuro.
O processo também incorpora a participação de diferentes atores — moradores, poder público, empresas e instituições — antes de consolidar indicadores capazes de orientar o planejamento territorial.
Um dos principais resultados desse trabalho é o Índice de Transição Territorial (ITT), ferramenta criada para sintetizar o diagnóstico e oferecer uma base técnica para a tomada de decisões.
A proposta é substituir análises baseadas apenas em percepções por informações organizadas, permitindo identificar quais áreas demandam maior atenção e onde existem melhores oportunidades para novos investimentos.
Na avaliação de André Lage, essa abordagem pode contribuir tanto para empresas mineradoras quanto para os municípios.
Enquanto as mineradoras passam a direcionar investimentos de legado para iniciativas com maior impacto sobre o desenvolvimento regional, o poder público ganha um instrumento para definir prioridades, estruturar projetos e orientar políticas voltadas à diversificação econômica e à requalificação urbana.
Mais do que uma metodologia de diagnóstico, André define o MTTM como uma ferramenta de planejamento.
“Um território só consegue construir um futuro melhor quando primeiro entende sua própria realidade.”
Em cidades que vivem o desafio da transição econômica, conhecer profundamente o território torna-se, segundo ele, o primeiro passo para construir um desenvolvimento mais sustentável, organizado e duradouro.


