A mineradora Vale anunciou uma parceria inédita com o Mercado Central de Belo Horizonte, um dos principais cartões-postais da capital mineira. Diferentemente de contratos tradicionais de naming rights, a empresa abriu mão de inserir sua marca no nome do espaço, adotando o modelo chamado Right Naming, que preserva a identidade histórica do Mercado.
O contrato terá duração inicial de dois anos, com previsão de investimentos em infraestrutura, manutenção e ações voltadas aos lojistas e visitantes até 2029, quando o Mercado Central completa 100 anos. Os valores da parceria não foram divulgados.
As melhorias serão definidas pelos próprios comerciantes em assembleias, garantindo que os recursos sejam destinados às principais demandas do espaço. Entre as prioridades já previstas está a modernização da rede elétrica, necessária para suportar o aumento do consumo de energia provocado pela ampliação dos sistemas de refrigeração e climatização.
Segundo a Vale, a proposta é contribuir para a preservação de um dos maiores símbolos da cultura mineira, sem interferir em sua identidade. Já a administração do Mercado destaca que o apoio da iniciativa privada é essencial para manter um espaço histórico, cuja manutenção exige investimentos constantes, além de viabilizar eventos gratuitos e melhorias na experiência dos cerca de 15,5 milhões de visitantes que passam pelo local todos os anos.
A parceria, entretanto, também reacende debates. A Vale ainda enfrenta o impacto reputacional dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, e o anúncio gerou críticas nas redes sociais. Em 2024, uma tentativa de conceder os naming rights do Mercado à casa de apostas KTO também foi encerrada após reação negativa do público.


