O governo federal decidiu liberar uma nova cota para a importação de componentes destinados à montagem de veículos elétricos no Brasil. A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), prevê um limite de US$ 463 milhões em importações com alíquota zerada e permanecerá válida até o fim deste ano.
A decisão movimentou o setor automotivo por ter sido adotada sem um pedido formal das montadoras e sem debates prévios com representantes da indústria nacional. O benefício contempla apenas veículos importados desmontados ou parcialmente desmontados, utilizados para montagem em território brasileiro.
Veículos elétricos entram no centro de debate entre governo e indústria
A autorização aprovada pelo governo abrange os modelos classificados nos sistemas SKD e CKD, formatos em que os automóveis chegam ao país em partes para posterior montagem. Já os veículos importados completamente montados permanecem fora da nova política de incentivo.
Nos bastidores, integrantes do setor produtivo e fontes ligadas ao governo avaliam que a medida pode favorecer estratégias comerciais de fabricantes estrangeiras que atuam no mercado brasileiro de eletrificação automotiva. Entre os nomes mencionados está a montadora chinesa BYD, embora a empresa não tenha se pronunciado oficialmente sobre o tema.
Setor automotivo demonstra surpresa com a decisão
A origem da proposta também chamou atenção. Segundo informações divulgadas, a solicitação partiu da Casa Civil da Presidência da República, e não de empresas interessadas ou de entidades representativas da indústria.
O cenário gerou questionamentos porque a cota anterior para esse tipo de importação perdeu validade em dezembro do ano passado e não havia sido renovada até então. Com a nova aprovação, o governo retoma o mecanismo de incentivo para a entrada de componentes destinados à produção local de veículos eletrificados.
A medida ocorre em um momento de crescimento da participação dos carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro, ampliando o debate sobre os impactos da política industrial, da concorrência internacional e dos investimentos na cadeia automotiva nacional.


