Um estudo técnico elaborado por um especialista internacional trouxe novos questionamentos sobre a classificação de segurança de estruturas utilizadas para armazenar rejeitos de mineração no município de Oriximiná, no oeste do Pará. A análise concentra-se em barragens operadas pela Mineração Rio do Norte (MRN), uma das principais produtoras de bauxita do país.
O levantamento examinou dados públicos disponíveis, informações técnicas da companhia e documentos relacionados aos procedimentos de emergência adotados para as estruturas. O objetivo foi avaliar aspectos ligados à gestão de riscos e aos possíveis impactos em caso de incidentes envolvendo os reservatórios.
Barragens são alvo de questionamentos sobre critérios de classificação
De acordo com o relatório, foram avaliadas 30 estruturas que, juntas, armazenam aproximadamente 136,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos provenientes da atividade minerária. O autor do estudo aponta que alguns critérios utilizados para definir os níveis de risco e de dano potencial associado podem merecer reavaliação.
Entre os pontos destacados estão aspectos relacionados aos métodos construtivos empregados nas barragens e a forma como determinados parâmetros de segurança foram enquadrados nos sistemas de classificação atualmente adotados.
A análise também sugere a necessidade de aprofundar estudos técnicos capazes de verificar se os cenários considerados nos processos de avaliação refletem adequadamente as características e condições das estruturas existentes.
Comunidades próximas estão entre as preocupações apontadas
Outro aspecto abordado no documento envolve os possíveis efeitos de um eventual rompimento sobre áreas localizadas abaixo das barragens. Segundo o estudo, seria importante revisar os levantamentos relacionados às populações que poderiam ser impactadas em situações de emergência.
O relatório defende a atualização de planos de ação e protocolos voltados à proteção das comunidades situadas a jusante das estruturas, além da revisão dos enquadramentos de risco e dano potencial atualmente atribuídos aos reservatórios.
A discussão ocorre em um contexto de crescente atenção à segurança de barragens de mineração no Brasil, tema que tem levado órgãos reguladores, empresas e especialistas a reforçarem mecanismos de monitoramento, prevenção e gestão de riscos em empreendimentos do setor mineral.


