O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender uma participação mais ampla dos países detentores de recursos minerais nas etapas mais lucrativas da indústria global. Durante encontro com líderes internacionais do G7 realizado na França, o chefe do Executivo afirmou que nações com grandes reservas de minerais estratégicos precisam avançar além da simples exportação de matéria-prima e conquistar espaço em atividades ligadas à industrialização e ao desenvolvimento tecnológico.
A declaração ocorre em meio ao aumento da disputa internacional por insumos considerados essenciais para setores ligados à transição energética, à digitalização da economia e à produção de tecnologias avançadas.
Minerais críticos ganham importância na geopolítica mundial
Ao abordar o tema, Lula destacou que a transformação energética e digital em curso no planeta deve gerar benefícios mais equilibrados entre os países participantes das cadeias produtivas.
“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores. Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, afirmou Lula.
O posicionamento ocorre enquanto economias desenvolvidas buscam alternativas para ampliar a segurança no fornecimento de minerais utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas de geração renovável e sistemas de defesa.
Entre os recursos mais disputados atualmente estão lítio, níquel, cobre, grafite, terras raras e outros insumos considerados fundamentais para a indústria do futuro.
Brasil quer ampliar processamento e industrialização
A estratégia defendida pelo governo brasileiro é que a diversificação das cadeias globais de suprimento não se limite à troca de fornecedores de matéria-prima. A proposta é atrair investimentos capazes de desenvolver atividades de beneficiamento, refino e transformação industrial dentro dos países que possuem as reservas minerais.
Essa diretriz vem sendo apresentada pelo Brasil em negociações com diferentes parceiros internacionais e também aparece em acordos firmados ou em discussão com nações da Ásia e do Oriente Médio.
Internamente, o tema também avança no Congresso Nacional. Uma proposta voltada à criação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos está em análise no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados. Entre os objetivos do projeto estão o fortalecimento da coordenação governamental para o setor e a criação de mecanismos que incentivem a agregação de valor à produção mineral realizada no país.
A avaliação do governo é que o Brasil reúne condições favoráveis para assumir posição mais relevante nesse mercado, combinando grandes reservas minerais, matriz energética com forte participação de fontes renováveis e capacidade de diálogo com diferentes blocos econômicos.
Com o crescimento da demanda global por minerais estratégicos, o país busca transformar suas reservas em uma plataforma de desenvolvimento industrial, atração de investimentos e fortalecimento da presença brasileira nas cadeias produtivas de alta tecnologia.


