O Brasil ainda precisa ampliar significativamente sua capacidade de produção mineral para avançar em etapas mais sofisticadas da cadeia industrial ligada aos minerais estratégicos. A avaliação foi apresentada por Ana Paula Lima Vieira Bittencourt, secretária de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, durante um evento dedicado ao debate sobre o futuro dos minerais críticos no país.
Segundo a representante da pasta, o fortalecimento da mineração nacional é um passo fundamental para que o Brasil consiga atrair investimentos destinados ao processamento e à transformação de matérias-primas, agregando mais valor à produção mineral dentro do território nacional.
Minerais críticos dependem de maior produção para ganhar escala
Durante sua participação no seminário promovido pelo setor mineral, Ana Paula destacou que a ampliação da atividade extrativa é uma condição necessária para a construção de uma cadeia produtiva mais robusta.
“Temos que avançar na etapa de produção mineral para que a gente consiga produzir em escala suficiente, para que a gente possa avançar e se organizar para atrair os demais elementos necessários à verticalização”, declarou a secretária.
A discussão ocorre em um momento em que o país busca ampliar sua participação no mercado global de minerais utilizados em tecnologias avançadas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e projetos ligados à transição energética.
Uma das iniciativas voltadas para esse objetivo é o projeto de lei que cria a Política Nacional dos Minerais Críticos. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda avaliação do Senado Federal. Entre as medidas previstas estão incentivos para empresas que realizarem etapas de beneficiamento e transformação mineral no Brasil, podendo alcançar até 20% dos investimentos realizados na cadeia produtiva.
Desafios estruturais ainda limitam crescimento do setor
Na avaliação da secretária, o avanço da mineração brasileira também depende da superação de obstáculos que ainda dificultam o desenvolvimento de novos empreendimentos. Entre os principais desafios estão a ampliação do conhecimento geológico sobre o território nacional e o fortalecimento das atividades de pesquisa mineral.
A expectativa é que um maior volume de estudos e investimentos permita a descoberta de novas reservas economicamente viáveis e contribua para que mais projetos avancem até a fase de lavra, quando a exploração mineral passa a ocorrer de forma efetiva.
Além disso, Ana Paula defendeu melhorias nos processos de licenciamento ambiental e a ampliação dos mecanismos de financiamento disponíveis para o setor. Segundo ela, instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) podem desempenhar papel importante no apoio a iniciativas que busquem ampliar a competitividade da mineração brasileira.
A avaliação do governo é que o fortalecimento dessas etapas será decisivo para consolidar uma cadeia mineral mais integrada, capaz de gerar maior valor agregado e ampliar a participação do Brasil nos mercados globais de minerais estratégicos.


