O interesse por minerais estratégicos segue crescendo no Brasil, impulsionado pela demanda global por tecnologias avançadas e pela disputa internacional por matérias-primas consideradas essenciais para a indústria moderna. Nesse cenário, o Espírito Santo passou a ocupar posição de destaque ao figurar entre os estados com maior número de projetos voltados à pesquisa de terras raras.
Levantamentos recentes apontam que o território capixaba reúne 105 processos minerários relacionados à busca desses elementos, número que coloca o estado na quinta colocação nacional. Os minerais do grupo das terras raras são considerados fundamentais para a produção de equipamentos eletrônicos, semicondutores, veículos elétricos e sistemas utilizados na área de defesa.
Terras raras ampliam interesse mineral no Espírito Santo
As áreas destinadas à pesquisa desses recursos abrangem aproximadamente 41,6 mil hectares e estão concentradas principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo. O avanço dos estudos reflete o aumento da atenção do mercado para minerais que ganharam relevância estratégica nos últimos anos.
Os dados mostram que a Bahia lidera o ranking nacional, com 999 processos relacionados às terras raras. Na sequência aparecem Goiás, com 536 registros, Minas Gerais, com 467, e Pernambuco, com 139. O Espírito Santo ocupa a quinta posição, à frente de estados tradicionalmente relevantes para a mineração, como São Paulo.
Grande parte dessas iniciativas é conduzida por empresas privadas que buscam avaliar o potencial econômico das áreas e reunir informações geológicas necessárias para futuras etapas de desenvolvimento mineral.
Projetos ainda estão distantes da fase de produção
Apesar do número expressivo de processos em andamento, a exploração comercial das terras raras no Espírito Santo ainda não é uma realidade. Nenhuma das áreas registradas no estado alcançou até o momento a etapa de lavra, que autoriza efetivamente a extração mineral.
Dos 105 processos existentes, 81 possuem autorização de pesquisa ativa, permitindo a realização de estudos técnicos e levantamentos geológicos. Outros 22 aguardam análise da Agência Nacional de Mineração para obtenção da autorização necessária ao início dos trabalhos de pesquisa.
Além disso, duas áreas estão classificadas como disponíveis para novos interessados, por não possuírem atualmente um titular responsável pelos direitos minerários.
O cenário demonstra que, embora o Espírito Santo tenha ampliado sua participação na corrida pelos minerais estratégicos, ainda há um longo caminho entre a fase de pesquisa e a efetiva produção de terras raras. O avanço dos estudos e a confirmação do potencial econômico das jazidas serão fatores decisivos para transformar os projetos em futuras operações minerárias.


