Minas Gerais corre o risco de perder sua liderança na mineração brasileira devido à redução dos investimentos em pesquisa mineral. O alerta foi feito pelo diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Francisco Valdir Silveira, durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado em Ouro Preto.
Segundo ele, enquanto outros estados ampliam investimentos em conhecimento geológico e prospecção mineral, Minas Gerais deixou de priorizar iniciativas estratégicas que, no passado, eram desenvolvidas em parceria com o SGB, universidades e instituições públicas.
Vantagem construída ao longo de décadas
Silveira destacou que Minas possui uma condição única no Brasil: é o único estado com 100% do território mapeado na escala geológica 1:100.000, considerada ideal para a atração de investimentos e descoberta de novas jazidas.
Esse nível de conhecimento ajudou a consolidar a liderança mineira na mineração e na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem).
Falta de investimentos preocupa especialistas
Apesar dessa vantagem, o diretor afirma que a falta de novos investimentos pode comprometer futuras descobertas minerais e reduzir a competitividade do Estado, especialmente na corrida global por minerais críticos e estratégicos.
Ele defende que parte dos recursos arrecadados com a Cfem seja destinada à pesquisa mineral e à retomada de parcerias entre o governo estadual e o Serviço Geológico do Brasil para ampliar o conhecimento sobre o subsolo mineiro.
Governo destaca base de dados geológicos
Procurado pela reportagem, o Governo de Minas, por meio da Codemge, destacou que o Estado possui uma ampla base de dados geológicos, disponível ao público por meio do Portal da Geologia.
A companhia também ressaltou que Minas segue líder nacional na arrecadação da Cfem e conta com levantamentos aerogeofísicos que auxiliam pesquisas e novos projetos minerários.
Potencial mineral ainda é enorme
Mesmo com a preocupação em relação aos investimentos, Silveira acredita que o potencial mineral mineiro está longe de ser esgotado.Atualmente, o SGB mantém projetos em regiões como Alto Paranaíba, Vale do Jequitinhonha e Quadrilátero Ferrífero.
“Minas Gerais sempre será um caso especial. Ainda há muito a ser conhecido e descoberto no Estado”, afirmou. Para ele, entretanto, a manutenção da liderança mineira dependerá diretamente da retomada dos investimentos em pesquisa mineral e inovação.


