Um levantamento recente revelou o crescimento da atividade mineral sobre áreas destinadas à reforma agrária em diferentes regiões do país. Segundo o relatório “Assentamentos sob pressão: análise sobre o avanço da fronteira mineral, energética e de infraestrutura sobre a reforma agrária”, já existem 18.276 processos minerários incidindo sobre 4.691 assentamentos brasileiros em 2025.
O estudo foi desenvolvido pela Coalizão Terra é para Plantar e Proteger, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo e a ONG Fase, e aponta um cenário de expansão acelerada do interesse mineral em territórios ocupados por famílias assentadas.
Reforma agrária sofre pressão com avanço da mineração
A pesquisa identificou que 57% dos assentamentos existentes no Brasil possuem áreas atingidas por processos relacionados à mineração. Esses processos são etapas administrativas registradas junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), que autorizam empresas a pesquisar ou explorar recursos minerais em regiões específicas.
Como os recursos minerais pertencem à União, cabe ao governo federal conceder às empresas o direito de atuação nessas áreas. O estudo analisou justamente a sobreposição entre os polígonos minerários registrados na ANM e os territórios da reforma agrária.
A maior parte dos pedidos identificados está nas fases iniciais de requerimento e autorização de pesquisa, representando 62,4% do total. Outros 17,4% correspondem a solicitações ligadas à concessão de lavra e extração mineral.
Ouro, ferro e areia lideram processos minerários
Entre os minerais metálicos, o ferro aparece entre os mais presentes nos processos analisados, superando mil registros. Já no grupo dos minerais não metálicos, a areia chama atenção por ultrapassar dois mil processos ativos.
O levantamento também destaca minerais considerados estratégicos para a indústria global, como cobre e estanho, ambos com mais de mil ocorrências nos pedidos minerários.
Os dados reforçam o peso da mineração na economia brasileira. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o país exportou mais de 73 toneladas de ouro em 2025, movimentando cerca de US$ 6,6 bilhões.
Ao final, o relatório conclui que há um crescimento simultâneo tanto de minerais tradicionais quanto dos chamados minerais críticos, cada vez mais demandados pela indústria tecnológica e pela transição energética mundial.


