A Vale colocou o cobre no centro de sua próxima fase de crescimento depois de décadas associada principalmente ao minério de ferro. Segundo material da Exame, a companhia mira Carajás, no Pará, para ampliar a produção até 2035, em um movimento sustentado pela eletrificação, expansão de data centers, redes 5G, energia renovável e aumento da demanda global. O plano acontece enquanto a mineradora busca diversificar sua exposição além do minério de ferro, sem abandonar o negócio que ainda sustenta a maior parte da receita.
A estratégia inclui separar a divisão de metais, concentrar investimentos em Carajás e transformar ativos antes menos visíveis dentro da estrutura da companhia em uma possível fonte de valor bilionário. A pergunta central é se o cobre pode repetir, em outra escala, o salto estratégico que Carajás proporcionou à Vale nos anos 1980.
Carajás concentra aposta estratégica para ampliar produção
O minério de ferro continua sendo a principal base operacional da Vale. Mas o crescimento futuro aparece cada vez mais conectado ao cobre. O metal está presente em carros elétricos, motores, redes elétricas, data centers, infraestrutura de 5G e projetos de energia renovável. Quanto maior a eletrificação da economia, maior a importância estratégica do cobre.
Carajás concentra conhecimento geológico, infraestrutura logística, ferrovia, porto e operações já instaladas, reduzindo barreiras comuns em novos projetos minerais. Outro diferencial apontado pela companhia está no teor mineral. Enquanto projetos globais trabalham com teores mais baixos, a Vale afirma operar em áreas com cerca de 2% de cobre na rocha.
A Vale produziu 382 mil toneladas de cobre no período citado pela Exame, com a maior parte vinda de Carajás. A meta é atingir aproximadamente 700 mil toneladas até 2035 e posteriormente alcançar 1 milhão de toneladas nos anos seguintes.
Demanda global acelera corrida pelo metal
A projeção apresentada aponta que a demanda global por cobre pode crescer de 28 milhões de toneladas em 2025 para 42 milhões até 2040. O avanço cria pressão estrutural porque novos projetos minerais exigem anos de desenvolvimento, enquanto a oferta não acompanha o mesmo ritmo.
A demanda crescente aparece em veículos elétricos, expansão das redes elétricas, inteligência artificial, transmissão de energia, digitalização e geração renovável. Os data centers ampliam ainda mais essa pressão, exigindo infraestrutura elétrica robusta, cabos, equipamentos e redes de transmissão.
Segundo o material, a participação dos metais no resultado da Vale saiu de uma faixa entre 10% e 15% para 22%, com expectativa de superar 30% no longo prazo. Em 2024, a saudita Manara Minerals adquiriu 10% da Vale Base Metals por US$ 2,5 bilhões.
Execução e desafios definirão o futuro da estratégia
Apesar da nova aposta, o minério de ferro continua sendo o principal pilar operacional da companhia. Além disso, acordos judiciais ligados aos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho seguem pressionando o fluxo de caixa da mineradora.
Projetos de cobre podem levar entre 10 e 15 anos entre estudos, licenciamento, abertura de mina, infraestrutura e operação. A vantagem de Carajás está justamente no fato de a Vale já atuar na região.
A companhia vê no cobre uma oportunidade de ampliar crescimento em um cenário de eletrificação global, inteligência artificial e expansão tecnológica. O desafio será transformar potencial mineral em produção previsível e geração consistente de valor. Carajás já mudou a história da Vale uma vez. Agora, a companhia aposta que pode fazer isso novamente.


