Os impactos da mineração voltaram a ser discutidos em Ouro Preto após relatos de moradores dos distritos de Antônio Pereira e Botafogo. As comunidades cobram mais segurança, transparência e respostas sobre os riscos associados à atividade minerária no município.
As reclamações foram apresentadas durante visita da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada nesta semana, com o objetivo de averiguar impactos socioambientais relacionados ao avanço da mineração na região.
Em Antônio Pereira, a principal preocupação envolve a barragem Doutor, pertencente à Vale. A estrutura teve as operações encerradas há quase sete anos e passa por processo de descaracterização, mas ainda provoca insegurança entre moradores que vivem na área de possível inundação.
Segundo informações apresentadas durante reunião com a comunidade, 68% da descaracterização já foi concluída. Mesmo assim, a barragem ainda abriga mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o que mantém o temor de famílias que convivem diariamente com a estrutura. A previsão da mineradora é concluir as obras apenas em 2029.
Moradores relataram medo em dias de chuva, dificuldade de acesso a informações sobre as intervenções e impactos na saúde mental de famílias que convivem com a possibilidade de remoção. Durante a reunião, também foram feitas críticas aos simulados de evacuação e à sensação de insegurança permanente vivida pela população.
Comunidade questiona critérios de indenização e remoção
Outro ponto de cobrança está ligado às indenizações de moradores que precisam deixar imóveis localizados na chamada mancha de inundação, área que poderia ser atingida em caso de rompimento. A comunidade questiona os critérios de negociação e afirma que os acordos não contemplam todos os danos causados pela mudança forçada.
A Vale contestou as críticas e informou que criou um espaço para repassar informações sobre a descaracterização da barragem. A empresa também afirmou que a segurança da estrutura está sendo reforçada, que já houve drenagem de 3 milhões de metros cúbicos de água e que a conclusão das obras está prevista para 2029. Segundo a mineradora, 181 famílias já foram indenizadas.
Botafogo teme avanço de empreendimentos na Serra de Ouro Preto
A preocupação com a mineração também aparece em Botafogo, comunidade situada a cerca de sete quilômetros da Praça Tiradentes. Moradores apontam risco de avanço de empreendimentos sobre a Serra de Ouro Preto, área considerada importante para o abastecimento de água de distritos do município e também ligada ao patrimônio paisagístico local.
Na região, a Mineração Patrimônio teve atividades suspensas após questionamentos do Ministério Público Federal sobre falhas no licenciamento ambiental. Ainda assim, lideranças locais relatam temor diante de novos processos de licenciamento e defendem medidas de proteção para a serra.
Moradores cobram ações mais efetivas do poder público
Durante a visita, moradores afirmaram que as comunidades seguem pressionadas pelo crescimento da atividade minerária e cobram ações mais efetivas do poder público para garantir segurança, preservação ambiental e transparência nas decisões que envolvem novos empreendimentos. Segundo os relatos, o sentimento é de que a mineração continua avançando enquanto persistem dúvidas sobre a proteção das famílias e dos recursos naturais da região.


