A Mineração Rio do Norte (MRN), maior produtora de bauxita do Brasil, destravou um dos projetos mais estratégicos da mineração nacional ao obter do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a licença de instalação para o Projeto Novas Minas, no Oeste do Pará. A autorização permite o início das obras de implantação do empreendimento e garante a continuidade das operações da companhia na região até 2041.
Com a licença, a empresa prevê investir R$ 9 bilhões entre 2027 e 2041 em novas frentes de lavra, infraestrutura operacional e expansão logística para manter o ritmo de produção anual de 12,5 milhões de toneladas de bauxita. O projeto será implantado nos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro, consolidando a permanência da mineradora em um dos mais importantes polos de suprimento de matéria-prima para a cadeia do alumínio no País.
Mais do que liberar um novo ciclo de investimentos, a licença ambiental assegura a longevidade operacional da MRN em Porto Trombetas, onde a companhia atua desde 1979 e concentra uma das maiores estruturas de mineração de bauxita da América Latina.
Licença encerra etapa iniciada há oito anos
A emissão da licença representa um marco em um processo de licenciamento ambiental iniciado em 2018. Ao longo desse período, a MRN conduziu estudos de impacto ambiental, audiências públicas e análises voltadas aos efeitos socioterritoriais do empreendimento sobre comunidades da região.
A autorização foi concedida após manifestação técnica do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que reconheceu não haver impedimentos para o prosseguimento do licenciamento, inclusive em relação às áreas de influência sobre comunidades quilombolas.
Com isso, a mineradora está apta a iniciar a preparação das áreas, construção de acessos, estruturas de apoio, sistemas operacionais e demais intervenções necessárias para colocar em funcionamento cinco novos platôs de extração mineral.
Projeto garante sobrevida à maior mineradora de bauxita do País
O Projeto Novas Minas é tratado pela companhia como essencial para assegurar a continuidade do atual patamar de produção da MRN pelos próximos 15 anos.
Em 2025, a mineradora produziu 12,8 milhões de toneladas de bauxita, volume muito próximo da meta estimada para o novo projeto. Desse total, 57% foram destinados ao mercado brasileiro, abastecendo refinarias e indústrias ligadas à cadeia do alumínio, enquanto o restante foi exportado para países da América, Europa e Ásia.
Na prática, o empreendimento não representa apenas ampliação territorial de lavra, mas a manutenção de um fluxo estável de matéria-prima para um setor considerado estratégico na indústria nacional.
A MRN é hoje controlada por um consórcio formado por Glencore, South32 e Rio Tinto, o que reforça o peso internacional do ativo para o mercado de alumínio.
Além do impacto industrial, o projeto também preserva a relevância econômica da mineração no Oeste paraense.
A MRN estima manter mais de 7,5 mil empregos diretos e indiretos na região com a implantação do Novas Minas, além de abrir aproximadamente 2,3 mil vagas durante a fase de construção das novas estruturas. A companhia calcula ainda que a continuidade das operações sustentará compras locais, arrecadação tributária e investimentos socioambientais em comunidades vizinhas.
Com forte presença em Oriximiná e entorno, a empresa é um dos principais vetores econômicos do corredor mineral de Porto Trombetas, com influência direta sobre logística fluvial, comércio e prestação de serviços.
Bauxita reforça posição estratégica na cadeia do alumínio
A obtenção da licença ocorre em um momento em que a bauxita ganha relevância crescente no mercado global diante da demanda por alumínio em setores como construção, embalagens, transporte, transição energética e indústria automotiva.
Ao garantir fornecimento até 2041, a MRN assegura previsibilidade para refinarias e para a indústria brasileira de alumina e alumínio, ao mesmo tempo em que preserva competitividade nas exportações.
Nesse contexto, o Novas Minas passa a ser visto não apenas como um projeto de continuidade operacional, mas como um movimento de proteção de longo prazo de uma cadeia mineral considerada estratégica para a indústria de transformação.
Autorização abre novo ciclo de longevidade para a MRN
Após oito anos de tramitação ambiental, a licença de instalação encerra uma etapa decisiva e inaugura um novo horizonte para a mineradora no Pará.
Com R$ 9 bilhões em aportes previstos, manutenção do nível de produção, preservação de empregos e extensão da vida útil das jazidas, a MRN garante mais 15 anos de operação em uma região central para a mineração brasileira e reforça o papel da bauxita como ativo industrial de interesse nacional.


